Descoberta pode revelar a escrita mais antiga da humanidade

Sistema de escrita foi descoberta por arqueólogosKristina Thomsen/CC-BY-4.0 | Ilustrativa

Arqueólogos podem ter descoberto recentemente a forma mais antiga de escrita da história da humanidade. Foram encontradas evidências de que, por volta de 40.000 anos atrás, os primeiros homo sapiens desenvolveram um sistema que envolvia riscar símbolos em pequenos objetos feitos de osso, chifre e marfim.

Os desenhos em cavernas e objetos portáteis mostraram que os humanos já esculpiam há centenas de milhares de anos. Embora não se saiba se os símbolos estavam relacionados a sons, arqueólogos apontam que eles eram intencionais e convencionais, mostrando que provavelmente foram incorporados a uma língua que há muito se perdeu no tempo.

Segundo a revista norte-americana Popular Mechanics, os arqueólogos Eva Dutkiewicz, curadora do Museu de Pré-História e História Antiga de Berlim, e Christian Bentz, da Universidade do Sarre, também na Alemanha, estudaram 260 artefatos paleolíticos desenterrados em cavernas nos Alpes da Suábia. 

Material robusto

Antes dessa descoberta, objetos com marcas semelhantes já haviam sido encontrados em ferramentas e esculturas datadas aproximadamente da mesma época, quando se acredita que os primeiros humanos modernos migraram da África para o continente europeu. 

Para analisar os 3.000 sinais geométricos, os arqueólogos usaram programas de computador especializados. O sistema de escrita era constituído por pontos, entalhes, cruzes e linhas esculpidas em pequenas esculturas de formas humanas e animais.

Nossas análises sugerem, portanto, que os primeiros caçadores-coletores que chegaram à Europa Central há mais de 40.000 anos já possuíam a capacidade informacional para criar um sistema de signos comparável ao protocuneiforme em termos de potencial de codificação de informações”, afirmaram os pesquisadores.

Os povos paleolíticos da cultura suábia Aurignaciana representavam fauna antiga, como mamutes, ursos-das-cavernas, leões-das-cavernas, bisontes-da-estepe e cavalos selvagens em suas esculturas. 

Revelações

Os estudos mostraram que as sequências de signos que eles desenhavam nos ossos e chifres não eram as mesmas para todos os tipos de escultura.

Por exemplo, uma figura que lembra vagamente um mamute é coberta de pontos e cruzes, mas, embora as figuras humanas também apresentassem várias marcas, as cruzes foram encontradas apenas nas figuras de animais

Ainda de acordo com a revista, os cientistas acreditam que isso pode ser um indício de registros de caça ou sacrifícios rituais. Outro fragmento ósseo com fileiras de entalhes nas costas revela uma figura humanoide quando virado. A figura humana é circundada por linhas e pontos, mas nunca por cruzes, embora estas sejam comuns em outros tipos de ornamentos e ferramentas.

Dutkiewicz e Bentz compararam as descobertas aurignacianas com artefatos da Mesopotâmia antiga. Ao analisar as características dessas sequências de sinais com um algoritmo e criar modelos para prever a quantidade de informação transmitida, eles puderam constatar o quão diferente a escrita aurignaciana era tanto da protocuneiforme mesopotâmica quanto da escrita moderna. 

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