Quadro dos 14: núcleo de elite do PCC decide ações e punições

PCC possui 12 “sintonias” encarregadas de administrar atividades criminosas no Brasil e no exteriorGerado por IA

O chamado “Quadro dos 14” é apontado pela Polícia Civil de São Paulo como uma instância de elite dentro da estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC), responsável por decisões estratégicas e disciplinares da facção. De acordo com o Departamento de Inteligência Policial (Dipol), o grupo responde diretamente à instância máxima da organização criminosa.

Segundo os investigadores, o PCC possui 12 “sintonias” encarregadas de administrar atividades criminosas no Brasil e no exterior. O Quadro dos 14 ocupa posição logo abaixo da cúpula e atua como órgão deliberativo para julgar, sancionar e fiscalizar o cumprimento das normas internas, especialmente nas ações desenvolvidas “nas ruas” e nos territórios sob influência da facção.

A estrutura funciona como uma espécie de tribunal internoGerado por IA

A Polícia Civil afirma que a estrutura funciona como uma espécie de tribunal interno, com atribuições para impor disciplina e definir estratégias operacionais. Documentos apontam que o grupo é composto por sete integrantes.

Integrantes do Quadro dos 14 também são investigados por possível relação com atentados atribuídos à facção. Entre os nomes listados está Fernando Gonçalves dos Santos, conhecido como “Azul” ou “Colorido”, preso em janeiro sob a acusação de ser um dos mandantes do assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes.

Quem são os integrantes do grupo

Fernando Gonçalves dos SantosReprodução/TJSP

Nome: Fernando Gonçalves dos Santos

Apelidos: Colorido, Azul e Azul da Baixada

Crimes: Roubo, receptação, tráfico de drogas e associação à organização criminosa

Situação: Preso

Descrição: Fernando Gonçalves, conhecido como “Azul” ou “Colorido”, é apontado pela polícia como possível participante da emboscada que matou o ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, em 2025, em Praia Grande, no litoral sul paulista.

Condenado a 28 anos de prisão por roubo, receptação, tráfico de drogas e associação à organização criminosa, Azul foi um dos detentos transferidos, em 2019, da Penitenciária de Presidente Venceslau (SP) para presídios federais, a pedido do Ministério Público de São Paulo, com o objetivo de isolar lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele cumpriu parte da pena em Mossoró (RN) e deixou o sistema prisional em agosto de 2025.

De acordo com as investigações, Fernando Gonçalves dos Santos é apontado como uma das lideranças da alta cúpula do PCC, com influência na Baixada Santista, e integrante do setor conhecido como “Quadro dos 14”. A polícia acredita que ele teria comandado as ações para a execução do ex-delegado, mas ainda apura se houve um mandante acima dele na hierarquia da facção.

Em janeiro de 2026, Azul voltou a ser preso, suspeito de envolvimento direto na morte de Ruy Ferraz Fontes.

Alessandro Garcia de Jesus RosaPolícia Civil de São Paulo

Nome: Alessandro Garcia de Jesus Rosa

Apelido: Pluft

Crimes: Tráfico de drogas e sequestro

Condenação: 44 anos

Situação: Preso

Descrição: Alessandro Garcia de Jesus Rosa, conhecido pelo apelido “Pluft”, foi incluído, em fevereiro de 2019, na lista de integrantes da facção transferidos do sistema prisional de São Paulo para presídios federais de segurança máxima. A medida teve como objetivo isolar lideranças do grupo.

Apontado pelas autoridades como membro influente da organização criminosa, Pluft integra o chamado “Quadro dos 14”, núcleo considerado estratégico dentro da facção.

Segundo informações disponíveis no site Jusbrasil, há 102 processos que mencionam seu nome. Ele foi condenado a mais de 44 anos de prisão por crimes como tráfico de drogas e sequestro.

Carlenilton Pereira MaltasPolícia Civil de São Paulo

Nome: Carlenilton Pereira Maltas

Apelidos: Carlos e Forró

Idade: 45 anos

Crime: Duplo homicídio, porte de arma e organização criminosa

Situação: Preso

Descrição: Carlenilton Pereira Maltas é apontado pela Polícia Federal como um dos executores do assassinato de Rogério Jeremias de Simone, conhecido como “Gegê do Mangue”, e Fabiano Alves de Sousa, o “Paca”, líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O crime ocorreu em fevereiro de 2018, em Aquiraz, no Ceará, durante uma emboscada.

Após investigações sobre o duplo homicídio, ele foi localizado e preso pela Polícia Federal em abril de 2019, em Aracaju (SE). Posteriormente, em dezembro de 2020, foi transferido do sistema prisional do Ceará para um presídio federal de segurança máxima no Distrito Federal.

Documentos judiciais de 2021 mencionam condenação provisória a 8 anos e 6 meses de reclusão por outros crimes, como porte ilegal de arma e organização criminosa. O nome de Carlenilton chegou a constar na lista de procurados da Interpol.

Em maio de 2024, decisões judiciais mantiveram sua prisão preventiva, com base na periculosidade atribuída a ele e na necessidade de garantia da ordem pública. Já em fevereiro de 2025, recursos apresentados pela defesa foram negados, e ele segue aguardando julgamento pelo Tribunal do Júri pelo envolvimento nas mortes dos dois líderes da facção.

Levi Adriani Felício Divulgação

Nome: Levi Adriani Felício 

Apelidos: Mais Velho e Caipira

Idade: 59 anos

Crimes: Tráfico internacional de drogas e armas,lavagem de dinheiro, associação com organização criminosa e é investigado por homicídios

Situação: Preso

Descrição: Levi Adriani Felício, 59 anos, é apontado pelo Ministério Público como integrante da nova cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com relatório da Polícia Federal, ele atuava na lavagem de dinheiro e no armazenamento de armas da facção no Paraguai, além de integrar o chamado “Quadro dos 14”, núcleo considerado estratégico dentro da organização criminosa.

Levi foi preso em outubro de 2019 por autoridades paraguaias, em um apartamento de luxo no bairro Villa Morra, em Assunção. Ele era suspeito de comandar o envio de drogas e armamentos para facções brasileiras. Na ação, foram apreendidos um fuzil, duas pistolas e dois revólveres.

No ano seguinte, segundo informou à época o delegado da Polícia Federal Florisvaldo Emílio das Neves, Felício teria assumido a função de adquirir drogas em território estrangeiro e remetê-las ao Brasil para abastecer o PCC. Ele passou a ser apontado como um dos líderes do setor de “logística e fornecimento de drogas” da facção.

As investigações avançaram após a apreensão de 1,9 tonelada de cocaína no veleiro “Vela I”, em julho de 2022. Em fevereiro de 2023, outras três toneladas da droga foram interceptadas no veleiro “Lobo IV”, abordado pela Marinha dos Estados Unidos próximo ao continente africano. As duas apreensões reforçaram a suspeita de que o núcleo paulista da organização atuava no envio de cocaína ao exterior por meio de embarcações.

Em 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Narco Vela, considerada uma das maiores ofensivas contra o tráfico internacional de drogas realizado por facções brasileiras. A investigação teve como alvos os irmãos de Limeira (SP), Levi Adriani Felício e Rodrigo Felício, apontados como figuras centrais no esquema de exportação de cocaína do PCC.

Além do tráfico internacional de drogas, Levi é investigado por tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro, associação com organização criminosa e suspeita de envolvimento em homicídios na região de fronteira, conforme apurações da polícia paraguaia.

Odair Lopes Mazzi JuniorDivulgação/MPSP

Nome: Odair Lopes Mazzi Junior

Apelidos: Dezinho Vinicius e Argentina

Idade: 44 anos

Pena: 11 anos

Situação: Preso

Descrição: Odair Lopes Mazzi Júnior, conhecido como “Dezinho”, de 40 anos, foi preso em 2023 em um resort na Praia dos Carneiros, no Litoral Sul de Pernambuco. Considerado um dos homens mais procurados do país, ele estava foragido desde 2020 e, segundo as investigações, utilizava identidades falsas e se hospedava em resorts e condomínios de luxo em diferentes estados. No momento da prisão, recebia a visita da esposa.

De acordo com apurações, outras 13 pessoas teriam participado com ele de um esquema que desviou cerca de R$ 1 bilhão para o Paraguai. O dinheiro, segundo a investigação, era movimentado de forma fracionada entre janeiro de 2018 e julho de 2019, transportado em compartimentos secretos de veículos e armazenado em cofres.

O Ministério Público de São Paulo identificou, em 2021, Dezinho como um dos gerentes do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Bolívia. Ele seria responsável por coordenar o tráfico de entorpecentes, cuidando da chegada e distribuição das drogas. Em um ano, teria transportado cerca de 15 toneladas de cocaína, destinadas principalmente à capital paulista e à Baixada Santista.

Apontado como integrante do chamado “Quadro dos 14”, núcleo estratégico da facção, Odair mantinha, segundo as autoridades, um padrão de vida de alto luxo enquanto permanecia foragido.

Marlon Rafael Silva MarinoPolícia Civil de São Paulo

Nome: Marlon Rafael Silva Marino

Apelido: Rafinha 

Idade: 38 anos

Descrição: Marlon Rafael Silva Marino é apontado como um dos integrantes do chamado “Quadro dos 14”, de acordo com organograma divulgado em fevereiro deste ano pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Segundo informações disponíveis no site Jusbrasil, há quatro processos que mencionam o nome dele.

Wellington Roberto da CruzPolícia Civil de São Paulo

Nome: Wellington Roberto da Cruz

Apelido: Shampoo

Idade: 54 anos

Pena: 7 anos e 11 meses

Crime: Associação criminosa

Situação: Preso

Descrição: Wellington Roberto, conhecido como “Shampoo”, é apontado em relatórios produzidos entre 2020 e 2022 como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Atualmente, ele integra o chamado “Quadro dos 14”, setor estratégico identificado pelas investigações como parte de uma nova estrutura hierárquica da facção.

Segundo apuração das autoridades, esse núcleo funcionaria logo abaixo da cúpula da organização criminosa, atuando como uma espécie de “escudo” responsável por levantar informações e proteger os principais líderes. A estrutura estaria, inclusive, acima do setor conhecido como “Progresso”, voltado à arrecadação financeira da facção.

Wellington foi um dos denunciados pelo Ministério Público do Estado de São Paulo no âmbito da Operação Sharks, deflagrada em 14 de setembro de 2020. A investigação apontou que o grupo seria responsável pela lavagem de cerca de R$ 1,2 bilhão entre janeiro de 2018 e julho de 2019.

Em 2023, a Justiça condenou quatro integrantes do PCC por associação à organização criminosa no contexto da operação. Shampoo estava entre os réus sentenciados.

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