Rumores de venda da Rumo e peso da Raízen dominam debate após resultado da Cosan

O resultado mais recente da Cosan (CSAN3) trouxe para o centro das discussões duas de suas principais investidas: Raízen e Rumo. Em relatório divulgado após a divulgação do balanço, a XP Investimentos destacou que os números das subsidiárias ajudam a explicar parte das preocupações do mercado, embora a casa mantenha recomendação de compra para as ações da holding.

Segundo a análise assinada pelo analista Regis Cardoso, a Cosan segue focada na reorganização de sua estrutura de capital, mas o desempenho das empresas do portfólio continua sendo determinante para a leitura da tese de investimento.

Entre as controladas, a Raízen aparece como um dos principais pontos de atenção no relatório da XP.

De acordo com os analistas, o balanço da companhia veio acompanhado de um volume elevado de ajustes contábeis, o que acabou dificultando a interpretação do desempenho operacional.

A empresa reportou:

  • R$ 11,1 bilhões em impairments não caixa

  • cerca de R$ 8 bilhões em ajustes no EBITDA ajustado

  • EBITDA reportado de R$ 3,1 bilhões, com queda anual de 14%

Para a XP, o grande número de ajustes acaba “ofuscando” a leitura dos resultados recorrentes da companhia.

Diante desse cenário, os analistas afirmam que seguem em modo de observação, aguardando maior clareza sobre o desempenho operacional da empresa e a evolução de sua estrutura de capital.

Estrutura de capital da Raízen está em discussão

Outro tema relevante envolve possíveis soluções para a estrutura de capital da Raízen.

A Cosan afirmou que participou de discussões recentes sobre alternativas para a subsidiária. Um dos princípios estabelecidos, no entanto, é que eventuais medidas não impactem a holding Cosan.

No modelo mais recente discutido, a Cosan não participaria de um eventual aporte de capital, enquanto Shell e a holding Aguassanta, de Rubens Ometto, seguem avaliando contribuições.

Entre as alternativas analisadas está também uma possível separação entre os negócios de distribuição de combustíveis e açúcar e etanol, embora essa possibilidade ainda não represente uma decisão final.

Rumo teve trimestre mais fraco

Outro destaque do relatório foi o desempenho da Rumo, empresa de logística ferroviária controlada pela Cosan.

Segundo a XP, os resultados do quarto trimestre vieram fracos, o que já era esperado pelo mercado.

O EBITDA da companhia recuou 3% na comparação anual, refletindo principalmente:

  • ambiente de preços pressionado

  • ajustes tarifários nas operações

  • impacto sobre os yields no transporte ferroviário

Por outro lado, a análise destaca avanços em eficiência operacional, incluindo controle de custos e melhorias no consumo de combustível.

Nos últimos dias, rumores no mercado sugeriram uma possível venda da Rumo para a Ultrapar.

Durante a teleconferência de resultados, porém, a administração da Cosan foi enfática ao afirmar que não existem negociações em andamento envolvendo a venda da companhia.

A empresa afirmou que não há discussões sobre tamanho de participação ou preço em eventuais transações.

XP mantém recomendação de compra para CSAN3

Apesar dos desafios nas subsidiárias, a XP manteve recomendação de compra para as ações da Cosan.

O preço-alvo estimado pela casa é de R$ 9 por ação, ante cotação recente de R$ 5,74, o que implica potencial de valorização de cerca de 57%. Para os analistas, a tese de investimento continua ligada principalmente à redução da alavancagem da holding e à possível monetização de ativos ao longo do tempo.

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