
A Polícia Federal (PF) abriu investigação, a partir de denúncia da Advocacia-Geral da União (AGU), por meio da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), para apurar a divulgação de vídeos misóginos postados TikTok, associados à trend “Treinando caso ela diga não”.
Nos vídeos, que geraram polêmica nas redes sociais e depois foram removidos da plataforma, jovens davam chutes, socos e esfaqueavam manequins representando mulheres.
Os criadores simulavam situações de abordagem romântica, geralmente um pedido de namoro ou casamento. Em seguida, aparecia a frase “Treinando caso ela diga não” e os autores encenam reações agressivas diante da possibilidade de rejeição.
A trend ganhou força nas últimas semanas, próximo ao Dia Internacional das Mulheres. Ao menos 20 posts foram removidos pelo TikTok.
Estímulo a feminicídio
Na avaliação do procurador Raphael Ramos, da PNDD, que solicitou a investigação da Polícia Federal, mesmo sem vítimas individuais, a circulação desses conteúdos ameaça os direitos das mulheres e pode configurar estímulo a crimes como feminicídio, lesão corporal, ameaça e violência psicológica.
A ação integra o Pacto Brasil contra o feminicídio, que inclui o combate à violência digital, e reforça compromissos internacionais do país no enfrentamento à violência de gênero.
A PF instaurou um procedimento investigativo para apurar a divulgação de conteúdos.
O que diz a plataforma
Procurado pelo iG, o TikTok afirmou que os conteúdos violam as regras da plataforma e foram removidos assim que chegaram as primeiras denúncias, no fim de semana. Os perfis seguem no ar.
“Nosso time de moderação segue atento e trabalhando para identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema. Não permitimos discurso de ódio, comportamento violento e de ódio ou promoção de ideologias de ódio. Nossa prioridade é manter a comunidade segura e protegida, e continuamos a investir em medidas contundentes que reforçam e defendem ativamente a segurança de nossa plataforma”, afirmou, em nota.
A plataforma informou ainda que foi contatada pela Polícia Federal, que levantou uma lista de vídeos sobre o tema.
“A própria corporação constatou, no momento do envio para nossa análise, que a maior parte do material já havia sido removida proativamente por nós. Os links remanescentes que ainda se encontravam no ar foram derrubados assim que os recebemos da PF”, conclui a assessoria de imprensa do TikTok.
