
O misterioso tubarão-da-Groenlândia voltou a surpreender cientistas. Conhecida por sua extraordinária longevidade, podendo viver quase quatro séculos, a espécie agora também chama atenção por outro motivo: a capacidade de manter a visão funcional mesmo em idade extremamente avançada. As informações são da Scientific American.
Em um estudo publicado esta semana na revista científica Nature Communications, pesquisadores analisaram um dos aspectos mais curiosos da biologia desses animais e descobriram que seus olhos permanecem operantes por centenas de anos.
Os tubarões-da-Groenlândia podem ultrapassar 6 metros de comprimento, pesar mais de uma tonelada e são considerados os vertebrados mais longevos do planeta. Essa característica já desperta grande interesse da ciência, que busca entender os mecanismos biológicos capazes de prolongar a vida por tanto tempo, algo que pode trazer pistas para estudos sobre longevidade humana.

Os tubarões-da-Groenlândia têm uma visão melhor do que se imaginava
Durante décadas, biólogos acreditaram que esses tubarões eram praticamente cegos. A hipótese surgiu porque muitos indivíduos carregam parasitas que se fixam na córnea, o que aparenta comprometer a visão.
A nova pesquisa, no entanto, desafia essa ideia. Os resultados indicam que, mesmo com idade superior a 100 anos, os tubarões mantêm um sistema visual adaptado para ambientes de pouca luz, típico das profundezas geladas do Atlântico Norte.
Segundo Dorota Skowronska-Krawczyk, professora associada de fisiologia e biofísica da Universidade da Califórnia em Irvine e coautora do estudo, a própria evolução indica que os olhos têm utilidade real para esses animais.
“Do ponto de vista evolutivo, você não mantém um órgão que não precisa”, explicou a pesquisadora. “Depois de assistir a vários vídeos, percebi que esse animal move o globo ocular em direção à luz.”
Olhos preservados por séculos
Para chegar às conclusões, os cientistas analisaram amostras de tubarões extremamente antigos, alguns com mais de um século de vida. Mesmo assim, não foram encontrados sinais evidentes de degeneração da retina, algo considerado surpreendente para animais dessa idade.
O achado sugere que os tubarões-da-Groenlândia possuem mecanismos biológicos capazes de proteger os olhos contra os efeitos do envelhecimento, um processo que, em humanos, costuma levar a doenças oculares ao longo da vida.
O que os humanos podem aprender com esses tubarões
Os pesquisadores afirmam que a descoberta abre caminho para novas investigações sobre como esses animais conseguem preservar a visão por tanto tempo. No futuro, esses estudos podem ajudar a compreender melhor a perda de visão associada à idade em humanos e até contribuir para estratégias de prevenção.
A estudante de doutorado Emily Tom, também da Universidade da Califórnia em Irvine e coautora do trabalho, destaca que ainda há muito a descobrir.
“Pouca gente estuda tubarões, especialmente a visão desses animais”, afirmou. “Podemos aprender muito sobre visão e longevidade com espécies que vivem tanto quanto o tubarão-da-Groenlândia.”
Para os cientistas, a combinação de vida extremamente longa e preservação de funções biológicas, como a visão, transforma o tubarão-da-Groenlândia em um verdadeiro laboratório natural, capaz de revelar pistas valiosas sobre o envelhecimento e a saúde ao longo dos séculos.
