Com petróleo mais caro, inflação projetada sobe e pode chegar a 5%, aponta Daycoval

posto combustível

A recente escalada nos preços do petróleo voltou ao centro das preocupações macroeconômicas e já começa a alterar o cenário prospectivo para a inflação brasileira. Estudo do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval indica que o choque recente na commodity pode elevar de forma relevante as projeções para o IPCA, com efeitos distintos ao longo do tempo.

De acordo com o levantamento, mais importante do que a magnitude inicial do aumento do petróleo é a trajetória que o preço do barril deverá seguir após o período do conflito geopolítico. A permanência da commodity em patamares elevados tende a provocar impactos mais persistentes sobre a inflação e, consequentemente, sobre a condução da política monetária.

Utilizando uma versão do modelo de projeções do Banco Central, o estudo estima que, com o barril de petróleo em torno de US$ 80, a projeção de inflação para 2026 sobe de 3,4% para 5,0%. No horizonte relevante para a política monetária, considerado o terceiro trimestre de 2027, a estimativa avança de 3,2% para 3,7%.

Segundo o Daycoval, esse movimento representa um afastamento da meta inflacionária e pode trazer desafios adicionais para o Banco Central em um contexto de economia ainda aquecida e expectativas inflacionárias pressionadas.

No curto prazo, o principal canal de transmissão do choque do petróleo ocorre por meio dos preços administrados, especialmente combustíveis. O estudo ressalta que o repasse das altas internacionais para os preços domésticos não é automático nem imediato, mas o potencial de impacto sobre o IPCA em 2026 é considerado relevante.

Além dos combustíveis, o aumento dos custos energéticos tende a afetar a cadeia produtiva de bens industriais, o que pode reverter parte da dinâmica recente de desinflação nesses itens.

O grupo de alimentação no domicílio deve sofrer efeitos mais moderados, embora possa ser impactado indiretamente por custos logísticos e pelo encarecimento de fertilizantes, dependendo da evolução do conflito e de eventuais restrições comerciais.

No horizonte relevante, o destaque passa a ser o comportamento dos preços de serviços, influenciado pela inércia inflacionária. Com a inflação cheia mais elevada, reajustes contratuais e a dinâmica do mercado de trabalho tendem a sustentar pressões adicionais sobre esse grupo.

O relatório também destaca que o impacto inflacionário pode ser limitado caso o preço do petróleo retorne aos níveis anteriores ao conflito após alguns meses. Nesse cenário, os efeitos sobre o curto prazo permaneceriam relevantes, mas a pressão sobre o horizonte relevante poderia ser menor ou até gerar revisões baixistas nas projeções futuras.

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