
A imagem é provocante: uma jovem de cabelos loiros encara a câmera de forma sedutora, posando topless. O retrato, que poderia ser apenas mais uma capa de revista adulta dos anos 1970, ganhou um tom sombrio com o passar do tempo. Poucos dias após estampar a publicação britânica Mayfair, a modelo Eve Stratford, de 22 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no leste de Londres, um crime brutal que, cinco décadas depois, continua sem solução. As informações são do The Sun.
Nascida na Alemanha, Eve foi encontrada em seu quarto em 18 de março de 1975. Ela estava amarrada com um lenço, com meias presas às pernas, e apresentava entre oito e 12 cortes profundos no pescoço. Há indícios de que também tenha sido vítima de violência sexual.
Na época, investigadores afirmaram que não havia sinais de arrombamento no imóvel, localizado no bairro de Leyton. Isso levou a polícia a acreditar que a jovem conhecia o assassino e o deixou entrar voluntariamente.

Uma das hipóteses levantadas foi de que a capa da revista adulta tenha despertado o interesse do criminoso. Ainda assim, a identidade do autor nunca foi descoberta.
Vida no Playboy Club
Antes do crime, Eve trabalhava como “bunny”, garçonete caracterizada com traje sensual, no Playboy Club de Londres, inaugurado em 1966. Ela começou no local em novembro de 1973 como trainee.
A jovem recebia cerca de £1,50 por hora (aproximadamente R$ 9,30 na cotação atual), em uma jornada média de 35 horas semanais, além de cerca de £15 em gorjetas (cerca de R$ 93). Muitas das funcionárias viam o trabalho como uma porta de entrada para carreiras artísticas, como atuação, música ou modelagem.
Segundo relatos de colegas, o ambiente era exigente, mas considerado seguro. As funcionárias passavam até dez horas de salto alto, mas contavam com supervisão constante e regras rígidas para evitar assédio.
A capa que mudou tudo
Eve sonhava em se tornar modelo e, após ser rejeitada pela revista Playboy, aceitou posar para a concorrente britânica Mayfair. Ela foi destaque como “Garota do Mês”, recebendo £200 pelo ensaio, cerca de R$ 1.240 atualmente.

A publicação trouxe 18 fotos, incluindo um ensaio nu completo, além de uma entrevista com forte conteúdo sexual. Segundo uma amiga próxima, o texto não refletia a realidade e teria sido inventado.
Após o lançamento da revista, em março de 1975, Eve foi suspensa por dois meses do Playboy Club.
O dia do crime
No dia de sua morte, Eve foi vista pela última vez por volta das 15h30, ao voltar de metrô após um encontro com seu agente. Cerca de uma hora depois, vizinhos relataram ouvir vozes, uma masculina e uma feminina, seguidas de um barulho alto.

Às 17h20, o namorado da modelo chegou ao apartamento e encontrou o corpo.
A polícia realizou uma reconstituição e interrogou cerca de 500 homens, incluindo empresários, atores e fotógrafos. Nenhum suspeito foi formalmente acusado, e todas as pistas acabaram em becos sem saída.
Ligação com outro assassinato
Seis meses depois, outro crime chocou Londres: uma adolescente de 16 anos, Lynne Weedon, foi estuprada e assassinada perto de casa. Em 2006, exames de DNA revelaram que os dois casos estavam ligados — embora as vítimas não se conhecessem.
Mesmo com novas investigações e apelos públicos, o autor dos crimes nunca foi identificado.
Caso segue aberto
A polícia britânica confirmou que ambos os assassinatos continuam sendo investigados. Em 2015, a mãe de Lynne fez um apelo emocionado por informações, destacando que as duas jovens tiveram suas vidas interrompidas de forma brutal.
Hoje, há uma recompensa de £40 mil (cerca de R$ 248 mil) para quem fornecer informações que levem à prisão do responsável.
Cinco décadas depois, o assassinato de Eve Stratford permanece como um dos casos mais perturbadores e enigmáticos da história criminal britânica, um mistério que desafia investigadores até hoje.
