Guerra no Irã está longe do fim. E pode decidir eleições por aqui

Guerra entre Estados Unidos e Irã dispara preços do petróleo no mercado internacionalReprodução: Freepik

Dia sim, dia não, Donald Trump vai a público dizer que o fim está próximo. O fim da guerra ao Irã, no caso.

Na quarta-feira (18) a Casa Branca anunciou ter destruído instalações de mísseis iranianos perto do Estreito de Hormuz, o nó górdio de todo o conflito e por onde passa 20% da produção de petróleo mundial.

“Sucesso”, declararam as autoridades norte-americanas.

O Irã respondeu horas depois, com novos ataques aos vizinhos do Golfo Pérsico. O alvo eram duas refinarias de petróleo no Kuwait. No Kuwait e outra na Arábia Saudita, perto do Mar Vermelho.

Duas instalações de gás natural no Qatar também foram atingidas. 

Na terceira semana de ofensiva, Trump não conseguiu asfixiar ainda as bases de onde partem os mísseis iranianos. 

O resultado, até aqui, é a escalada do preço do petróleo, que se aproximou de US$ 120 o barril nesta quinta-feira (19). 

A situação é tão grave que o Federal Reserve, espécie de Banco Central dos Estados Unidos, destacou incertezas provocadas pela guerra ao justificar a manutenção dos juros no país (de 3,50% a 3,75%). O conflito, segundo a autoridade monetária, cria novas fontes de dúvidas sobre os preços e sobre o emprego.

Imagina como está agora o apoiador republicano típico com o bolso esvaziado e o slogan de America Firts num boné desgastado entre as mãos.

Não é só por lá que a situação preocupa. Por aqui, o presidente Lula (PT) já sente a orelha queimar com o mau humor do eleitor que foi abastecer o automóvel nesta semana e encontrou fila e preços absusivos. Nada que não possa piorar com a ameaça de greve dos caminhoneiros em protesto contra a escalada do diesel. 

“Os tiros que o [Donald] Trump deu no Irã estão fazendo aumentar no mundo inteiro”, lamentou Lula em evento nesta manhã. “Um barril de petroleo saiu de US$ 65 para US$ 120. Aqui tomamos a decisão para não deixar o preço chegar, mas quando as pessoas não prestam não tem jeito. Por que o álcool aumentou? Por que a gasolina aumentou se somos autossuficientes? Porque está cheio de gente que gosta de tirar proveito da desgraça. Isso tudo por causa da guerra”.

Na verdade, o Brasil ainda importa grande parte do diesel que abastece os caminhões.

Lula tentou, de todo jeito, um acordo com governadores para suspender impostos estaduais sobre o produto, como o ICMS, para amenizar os efeitos da inflação a poucos meses da eleição. Ouviu um sonoro “não”, principalmente nos estados governados pela nata do bolsonarismo, como São Paulo, Minas e Rio. O PIS e Cofins, instrumentos controlados pelo governo, já foram zerados, mas os efeitos são limitados.

Lula apostava que a situação econômica, baseada em pleno emprego e inflação controlada, seria decisivo para levar a reeleição em outubro. Faltou combinar com Trump.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

Adicionar aos favoritos o Link permanente.