
Às cinco da manhã, o silêncio é o meu melhor conselheiro. Acordar cedo, para mim, vai muito além da disciplina pessoal ou de cumprir uma agenda cheia. É, acima de tudo, uma questão de clareza. Nessas primeiras horas do dia, o discernimento se torna mais nítido, permitindo que eu organize as ideias para enfrentar os desafios complexos que a gestão pública nos impõe.
Para se ter sucesso na vida e, especialmente, na vida pública, acredito em quatro pilares fundamentais que guiam meus passos. O primeiro é a coragem para enfrentar os desafios, sem recuar diante das dificuldades. O segundo é o senso de justiça: tratar a todos com o mesmo respeito e dignidade, do funcionário que mantém nossas ruas limpas ao presidente de uma grande corporação. O terceiro é a sabedoria para decidir. Mas o mais crucial, talvez, seja o quarto: a temperança.
A temperança é o exercício constante de evitar os extremos. Vivemos tempos em que a radicalidade e o extremismo, seja na ideologia ou na política, só produzem ódio e paralisia. O radicalismo não constrói pontes; ele as explode. E é justamente em busca desse equilíbrio e consenso que tenho pautado minha atuação, especialmente como vice-presidente da Associação Paulista de Municípios (APM).
Nessa semana estive na Câmara Municipal de Campinas em um encontro produtivo com os vereadores para entregar as identidades parlamentares da APM. Naquele ambiente democrático, fui honrado com o reconhecimento de colegas que compartilham da mesma luta: o municipalismo.
Reforma Tributária
Essa é a pauta que exige nossa maior coragem e sabedoria neste momento: a Reforma Tributária. Minha defesa é clara e intransigente: os impostos precisam ficar onde a vida acontece, ou seja, nas cidades. É no município que o cidadão busca o posto de saúde, a escola para o filho e o asfalto na porta de casa. Não podemos permitir que o pacto federativo continue a centralizar recursos em Brasília enquanto as demandas crescem na ponta.
Defender que o fruto do trabalho do cidadão retorne diretamente para sua comunidade não é um ato de rebeldia, é um ato de justiça. E para avançarmos nessa reforma, a temperança é o nosso Norte. Precisamos de diálogo, de equilíbrio entre as esferas de governo e, principalmente, da clareza de que o sucesso de uma nação começa pelo fortalecimento de seus municípios.
Sigo acreditando que o trabalho árduo, que começa antes mesmo do sol nascer, é o que nos dá a base para construir uma sociedade menos polarizada e mais eficiente. Sem extremos, com justiça e com o coração voltado para as nossas cidades.
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