Marfrig e Minerva têm 4º trimestre pressionado e acendem alerta para 2026

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Os resultados do quarto trimestre de 2025 das gigantes do setor de proteínas, Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3), trouxeram uma leitura mais cautelosa para o mercado, com pressão sobre margens, aumento da alavancagem e geração de caixa negativa em um ambiente mais desafiador para a indústria.

Apesar de algumas linhas positivas, como crescimento de receita, o desempenho operacional e financeiro das companhias ficou aquém do esperado, reforçando preocupações com o cenário para 2026.

Marfrig: margens comprimidas e alta alavancagem

A Marfrig apresentou resultados considerados mistos no período. A receita líquida somou cerca de R$ 43,9 bilhões, com avanço anual de aproximadamente 6%, beneficiada pelo desempenho das operações internacionais.

O EBITDA ajustado ficou em torno de R$ 3,4 bilhões, em linha com as expectativas do mercado, mas a margem EBITDA recuou para cerca de 7,8%, pressionada por custos e condições menos favoráveis no setor.

Entre os principais pontos de atenção, analistas destacam o aumento da alavancagem, com a relação dívida líquida/EBITDA próxima de 4,2 vezes, além de uma queima de caixa relevante no trimestre.

O cenário também foi impactado por fatores externos, como restrições às exportações de frango e maior volatilidade global, influenciada por questões geopolíticas e logísticas.

Minerva: fraqueza no Brasil e custos mais altos

No caso da Minerva, os números também vieram abaixo das projeções. A companhia reportou receita próxima de R$ 14,2 bilhões, com desempenho pressionado principalmente pelo mercado doméstico.

O EBITDA e as margens ficaram abaixo do esperado, refletindo o aumento do custo do gado e despesas operacionais mais elevadas.

Além disso, a empresa apresentou geração de caixa negativa acima das estimativas, reforçando o cenário mais desafiador no curto prazo.

Entre os fatores que explicam o desempenho, destacam-se o consumo mais fraco no Brasil, a alta no preço do boi e um ambiente de maior competição e pressão sobre preços.

Setor enfrenta virada de ciclo e riscos externos

De forma geral, os resultados das companhias refletem uma mudança relevante no cenário do setor de proteínas, que passa a enfrentar um ambiente menos favorável.

Entre os principais desafios, analistas apontam:

  • Alta no custo do gado, indicando virada do ciclo pecuário;
  • Riscos relacionados à China, principal mercado importador;
  • Tensões geopolíticas, com impactos sobre preços e logística global;
  • Incertezas domésticas, como consumo enfraquecido e possíveis paralisações logísticas.

Na avaliação do mercado, o momento exige maior cautela, especialmente para empresas com níveis elevados de endividamento, em um contexto de maior volatilidade.

Perspectivas para 2026 seguem desafiadoras

Combinando pressão de custos, cenário macroeconômico incerto e menor previsibilidade de demanda, a expectativa é de um ano mais complexo para o setor.

Diante desse contexto, analistas adotam uma postura mais conservadora, com avaliações neutras para as companhias e atenção redobrada à evolução do ciclo pecuário e das condições globais.

O desempenho do setor em 2026 deve depender, sobretudo, do comportamento dos preços do gado, da demanda internacional e da capacidade das empresas de preservar margens e reduzir alavancagem.

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