Fenômeno incomum mantém ciclone parado no oceano

Fenômeno incomum mantém ciclone parado no oceanoZoom Earth

Um sistema ciclônico formado no último fim de semana na costa do Sudeste brasileiro chamou a atenção de especialistas ao apresentar um comportamento pouco comum no Atlântico Sul. Após surgir próximo ao litoral, o fenômeno avançou em direção às regiões Sul e Sudeste e, em seguida, passou a se manter praticamente estacionário sobre o oceano por vários dias, algo considerado raro para esse tipo de formação. As informações são da Metsul.

Apesar da peculiaridade, os dados indicam que o ciclone não possui grande intensidade. A pressão atmosférica no centro do sistema gira em torno de 1004 hPa, valor que o classifica como relativamente fraco. No início da semana, o fenômeno chegou a atingir cerca de 997 hPa, quando apresentou maior organização, mas ainda assim sem atingir níveis preocupantes.

O ciclone oferece risco?

Mesmo com sua permanência incomum na mesma área, o ciclone não oferece risco ao território brasileiro. Ele está localizado em alto-mar, distante da costa, e seu campo de ventos mais intensos não alcança o continente. No auge da atividade, modelos meteorológicos chegaram a projetar rajadas superiores a 100 km/h, mas restritas ao oceano aberto.

Ciclone subtropical Raoni em 29/06/2021, no Sudeste do Rio Grande do SulReprodução/Nasa

O principal impacto do sistema ocorre de forma indireta. A circulação de ventos ao redor da baixa pressão ajuda a transportar umidade para áreas do Centro-Oeste e do Sudeste do país, favorecendo a formação de instabilidades e chuvas nessas regiões.

A permanência quase fixa do ciclone também gerou discussões entre meteorologistas sobre sua classificação. Em determinados momentos, análises indicavam características subtropicais; em outros, traços mais próximos de sistemas tropicais. Caso fosse confirmado como um ciclone atípico, poderia receber um nome oficial. No entanto, a Marinha do Brasil manteve a avaliação de que o fenômeno possui natureza extratropical, que é a mais comum na região.

Normalmente, ciclones formados em latitudes médias, como na costa brasileira, se deslocam rapidamente em direção ao oceano, geralmente para leste ou sudeste. Neste caso, porém, o sistema permaneceu por dias praticamente na mesma posição, com pequenas variações, próximo à latitude de 30°S.

A explicação para esse comportamento está na atuação de uma área de alta pressão ao sul e sudeste do ciclone. Esse bloqueio atmosférico impediu o deslocamento do sistema, mantendo-o “preso” na mesma região. Esse cenário, no entanto, deve mudar nos próximos dias.

A previsão é de que o avanço de uma frente fria, aliado ao enfraquecimento da baixa pressão, contribua para a dissipação do ciclone até o fim da semana, encerrando um episódio considerado atípico pelos especialistas.

Na costa brasileira, ciclones extratropicais são frequentes e fazem parte da dinâmica climática. Já sistemas subtropicais e tropicais são mais raros e, por isso, costumam despertar maior atenção, especialmente quando apresentam potencial para impactos, o que não é o caso deste evento.

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