Cantareira tem pior nível para fim de verão em 10 anos

Sistema CantareiraReprodução/ANA

O Sistema Cantareira, principal conjunto de represas que abastece a Grande São Paulo, terminou o dia de ontem com 42,69% da capacidade. É o pior nível para o fim do verão desde 2016, ano seguinte à maior crise de falta de água já enfrentada pela região.

Em 2016, no mesmo período, o volume estava ainda mais baixo, em 33%, após um longo período sem chuvas. A situação foi tão grave que foi preciso usar o chamado “volume morto”, composto pela água que fica no fundo das represas e precisa ser bombeada para chegar às casas.

O fim do verão marca o período em que as represas deveriam estar mais cheias, já que é a época de mais chuva. O nível é importante para garantir o abastecimento durante o outono e o inverno, que costumam ser mais secos.

Hoje, somando todos os sistemas que abastecem a região, o nível médio está em 56,1%. Mesmo assim, o Cantareira preocupa porque sozinho responde por cerca de metade da água distribuída na capital pela Sabesp.

Outros sistemas estão em situação mais tranquila. O Guarapiranga está com 92,7% da capacidade, e o São Lourenço, com 93,6%.

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Redução de água à noite

Desde agosto de 2024, o fornecimento de água já sofre redução durante a noite. Isso é feito diminuindo a pressão nos canos para evitar vazamentos e economizar água.

A partir de 22 de setembro de 2025, esse período aumentou de 08 para 10 horas por dia. Na prática, a redução acontece das 19h às 5h.

Segundo a Arsesp, a medida é preventiva e busca preservar o nível das represas. Em 21 dias, a economia foi de 7,26 bilhões de litros de água, o suficiente para abastecer mais de 800 mil pessoas por um mês.

A Sabesp informa que quem tem caixa d’água em casa tende a sentir menos essa redução, principalmente à noite, quando o consumo já é menor.

Regras controlam uso da água

O uso da água do Cantareira segue regras que limitam quanto pode ser retirado, dependendo do nível dos reservatórios.

Hoje, o sistema está na chamada “Faixa de Atenção”, quando o volume fica entre 40% e 60%. Nessa situação, há um limite de retirada de água para evitar que o nível caia ainda mais.

A gestão do sistema é feita pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE/SP), que monitoram a situação e definem as regras.

Gráfico mostra como o Sistema Cantareira leva água entre represas até abastecer a Grande São PauloReprodução/ANA

O Cantareira é formado por cinco represas: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. Elas são ligadas por túneis e canais subterrâneos, funcionando como um único sistema. Juntas, têm capacidade para armazenar cerca de 981 bilhões de litros de água.

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