Goiás fecha acordo com EUA e antecipa exploração de terras raras

Usina da mineiradora Serra VerdeReprodução

Goiás assinou um acordo com os Estados Unidos para desenvolver a cadeia de terras raras no estado. O movimento já abre espaço para estudos técnicos, capacitação e atração de investidores, antes de uma política nacional definida. O memorando foi firmado na semana passada, durante fórum em São Paulo.

A iniciativa partiu do governo de Ronaldo Caiado (PSD) em meio à ausência de diretrizes consolidadas para o setor no país. O acordo envolve apoio externo em pesquisas e mapeamento geológico, com promessa de tornar públicos os dados ao fim dos estudos.

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O governo de Goiás afirma que o acerto não interfere na exploração mineral, que segue sob responsabilidade da União. A atuação estadual, segundo o diretr do Instituto Mauro Borges, Erik Figueiredo, se concentra na etapa econômica da mineração.

O memorando provocou reação em Brasília, de acordo com O Globo. Interlocutores do Governo Federal avaliam que o estado se antecipou em um tema ainda em discussão no Executivo e no Congresso, especialmente em ano eleitoral.

Um dos pontos de incômodo é a previsão de compartilhamento de dados geológicos com os Estados Unidos. Figueiredo afirmou na entrevista que não haverá restrição de acesso e que as informações serão públicas após a conclusão dos estudos.

O estado também tenta acelerar a preparação para impactos locais da mineração. Em municípios como Nova Roma, no interior de Goiás, a expansão da atividade já pressiona infraestrutura e serviços.

O acordo prevê avançar além da extração. O foco inclui etapas como separação de elementos, produção de ligas metálicas e desenvolvimento industrial ligado às terras raras.

Goiás já assinou parceria semelhante com o Japão e negocia um novo acordo com a Coreia do Sul. A estratégia é atrair investimento estrangeiro e estruturar uma cadeia produtiva local antes da definição de regras nacionais.

Setor vê acordo sem garantia de investimento

Para o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o acordo ainda é inicial e sem compromissos detalhados. A entidade aponta que o setor depende de três pontos para avançar: financiamento, definição de preços e garantia de compra. O Ministério de Minas e Energia não comentou o acordo ao jornal O Globo. 

O iG entrou em contato com o Governo de Goiás para prestar esclarecimentos e aguarda retorno. 

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