Bets vão à guerra contra Lula

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discursoMARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O presidente Lula (PT) identificou um inimigo no caminho da sucessão. 

Um estudo divulgado pelo Ibevar, o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo, em parceria com a FIA Business School, revelou que as plataformas online de aposta são o principal motor do endividamento das famílias brasileiras.

A receita bruta total das bets autorizadas a operar no Brasil atingiu R$ 37 bilhões em 2025, segundo uma reportagem do portal UOL. Não por acaso, o comprometimento da renda das famílias atingiu um patamar recorde em janeiro 29,2%, ante 27,5% de janeiro do ano passado. Nesse período, o endividamento das famílias também subiu, de 48,4% para 49,7%. A conta é a seguinte: quanto mais dinheiro do orçamento já está comprometido com parcelas de empréstimos e financiamentos, maior é o risco de essa pessoa se tornar inadimplente.

Lula sabe o quanto o combo dívidas e redução do poder de compras pode afetar o humor dos eleitores. E mandou o recado para Dario Durigan, o novo ministro da Fazenda: é preciso elaborar propostas para reduzir o endividamento da população.

“Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada. Mas quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos vira grande. E a gente começa a ficar zangado. ‘Trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada’. Aí quem vocês xingam? O governo”, declarou o petista.

Bingo. É exatamente assim que funciona.

Lula falava da facilidade das pessoas de comprar o que precisam e o que não precisam com um celular na mão. Mas ele sabe onde está o furo no bolso dos eleitores.

Foi com contrariedade que ele sancionou, nesta semana, o PL Antifacções sem emplacar a alíquota de 15% sobre apostas esportivas – a ideia era levantar R$ 30 bilhões ao ano para o Fundo Nacional de Segurança Pública. O centrão barrou a brincadeira, e Lula não quis mexer no vespeiro.

No início do mês, ele declarou que “não faz sentido permitir que os jogos do tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular”. “Vamos trabalhar unindo o governo, o Congresso e o Judiciário para que esses cassinos digitais não continuem endividando famílias e destruindo lares”, disse.

A fala era mais uma promessa sem plano claro do que uma ameaça. Mesmo assim empresas do tipo não querem ver o presidente nem pintado de ouro. Preferem outro candidato que não ameace seus negócios com conversas sobre regulação.

Tanto que, como mostrou o canal ICL Notícias, ao menos duas bets já patrocinam canais de entretenimento do Instagram com postagens críticas ao governo Lula. O Planalto já analisa o caso para tomar providências.

O nome disso é guerra. E ela é bem suja. Erra quem apostar que vai  acabar tão cedo.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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