
As obras para implantação do Trem Intercidades Eixo Norte (TIC), que ligará a metrópole Campinas à capital paulista, foram iniciadas nesta sexta-feira (27). A empresa TIC Trens, responsável pela construção, está realizando as primeiras intervenções na cidade de Vinhedo, no interior de São Paulo.
Segundo a TIC, nesta primeira fase serão realizadas: instalação do canteiro de obras e áreas de apoio, preparação do terreno, obras de terraplanagem, contenções e implantação de uma passagem inferior à ferrovia, destinada à transposição de veículos a remoção de interferências.
Conforme as obras forem avançando, chegarão ao trecho entre Campinas e Jundiaí (SP), e posteriormente no trajeto até São Paulo.
O Trem Intercidades será o primeiro serviço de média velocidade do Brasil, alcançando até 140 km/h. A previsão é que a operação comece em 2031. Segundo dados do edital, o transporte contará com assentos marcados, espaços para bagagens e poderá levar bicicletas.

Confira nessa matéria todas as informações que já foram divulgadas sobre o Trem Intercidades.
Primeiros passos para a implantação
As obras serão iniciadas pela preparação da base dos trilhos, com retirada de materiais como trilhos antigos e tubulações desativadas, além de serviços de drenagem e terraplanagem.
Essa será a fase de fundação da ferrovia, só após isso, serão instalados dormentes, trilhos e sistemas complementares. LEIA MAIS: Como será a desapropriação para o Trem Intercidades em Campinas.
Valores de tarifa previstos
O trem ligará Água Branca a Campinas em 1h04, com velocidade de até 140 km/h e levando 860 passageiros por viagem. A tarifa estimada para este trecho é de R$ 64. Já o Trem Intermetropolitano que unirá Jundiaí a Campinas, terá trajeto de 33 minutos, com velocidade entre 44 km/h e 80 km/h, com capacidade para levar 2.048 passageiros. O valor estimado é de R$ 14,05.
Investimentos e execução do projeto
O Trem Intercidades contará com investimento total de R$ 14,2 bilhões e a expectativa é de geração de mais de 10 mil empregos diretos e indiretos. A iniciativa deverá atender 11 municípios e impactar cerca de 15 milhões de pessoas.
O contrato foi firmado em maio de 2024. O projeto ficará sob responsabilidade do consórcio C2 Mobilidade sobre Trilhos, formado pela CRRC Hong Kong, da China, com 40% de participação, e pelo grupo brasileiro Comporte, que detém 60% e é ligado à família Constantino. A operação será conduzida pela empresa TIC Trens, criada especificamente para esse fim.
Duração do contrato e aporte financeiro
A concessão tem duração de 30 anos e prevê investimento total de R$ 16,85 bilhões no TIC Eixo Norte, sendo 9,5 bilhões provenientes do Governo do Estado. O projeto tem cerca de 100 km de extensão, abrangendo Trem Intercidades, Trem Intermetropolitano e a modernização da Linha 7-Rubi.
Transporte regional entre cidades vizinhas

Além do Trem Intercidades, está prevista a implantação do Trem Intermetropolitano (TIM), que fará a ligação entre Jundiaí (SP) e Campinas (SP), passando pelos municípios de Louveira (SP), Vinhedo (SP) e Valinhos (SP). A previsão é que o sistema entre em funcionamento em 2029, com aporte aproximado de R$ 14 bilhões.
Como será a Linha 7 – Rubi?

A Linha 7 – Rubi é a principal via do projeto, conectando Água Branca a Jundiaí e servindo de base para o trajeto inicial do TIC até a nova via, rumo a Campinas. Hoje, o trecho é usado principalmente para transporte de cargas pela MRS Logística, o que torna o ponto mais complexo da operação devido ao alto fluxo de passageiros e mercadorias. A renovação da concessão da MRS prevê a construção de uma via exclusiva para cargas.
Reforço vindo da China
A concessionária adquiriu cerca de 50 veículos de manutenção, incluindo socadoras, locomotivas, vagões e equipamentos especializados, vindos da China e que chegaram ao país pelo Porto de Santos. Esses veículos não transportam passageiros, mas vão atuar na conservação dos trilhos.
Fábrica para produção dos trens do TIM
A CRRC instalará uma fábrica em Araraquara (SP) para produzir os trens do TIM, num local antes utilizado para produções da Hyundai Rotem. A unidade deve começar a operar ainda neste semestre e poderá atender também outros mercados da América Latina. Segundo a concessionária, a iniciativa expande a cadeia produtiva ferroviária, atraindo fornecedores e retomando a indústria desse setor no Brasil.
