
Qual foi o resultado depois de oito meses de CPMI do INSS? Rejeitaram o relatório.
Foram 19 votos contra, da base do governo Lula, e 12 a favor da oposição.
E qual foi a justificativa? O relatório tinha falhas.
Nessa lógica, se um arquiteto entrega um projeto com defeitos, você desiste de construir a casa em vez de ajustar o projeto.
Esse relatório não é o fim. É o meio do caminho para entender como roubaram os idosos.
Rejeitar esse projeto não melhora nada. Só interrompe.
Quando interessa, funciona
Mas quando o assunto é aumentar salário de político, não tem relatório imperfeito.
Não tem dúvida técnica. Não tem pausa para ajuste.
A decisão é rápida. A votação é apressada. A aprovação é urgente.
Quando é para eles, assina como está. Quando é para o cidadão, precisa ver com calma.
Se a culpa é do outro, por que não provar?
A própria base do governo diz que essa fraude começou no governo Bolsonaro.
Não seria essa a oportunidade ideal de provar isso?
Viraria um documento oficial: está aqui a prova, começou lá.
Então por que impedir a aprovação?
Talvez o problema sejam os nomes que poderiam aparecer. Um deles era o do Lulinha, filho do presidente.
Aí a dúvida deixa de ser técnica e passa a ser política.
Se não tem nada ali, qual é o problema de investigar? Quem não deve, não teme.
Uma investigação dessas não condena. Mas desgasta.
E, em Brasília, desgaste parece ser o único crime realmente intolerável.
O retrato do próprio problema
Sete meses. Duzentos e quarenta dias. Mais de trezentas horas de investigação.
Tudo isso para chegar no momento decisivo e simplesmente parar.
A CPMI investigava idosos perdendo dinheiro sem explicação. E, no fim, fez algo muito parecido.
Consumiu tempo, usou dinheiro público e não entregou nada.
A CPMI virou o próprio caso do INSS.
O aposentado, no fim, ficou com uma certeza: o sistema funciona.
Desde que seja para proteger o próprio sistema.
