Déficit do setor público soma R$ 16,4 bilhões em fevereiro e dívida bruta chega a 79,2% do PIB

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O setor público consolidado, formado por União, estados, municípios e empresas estatais, registrou déficit primário de R$ 16,4 bilhões em fevereiro de 2026, segundo o relatório de Estatísticas Fiscais divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (31).

O resultado representa uma melhora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit havia sido de R$ 19 bilhões, mas mantém o setor público no campo negativo no início do ano.

O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento de juros da dívida.

Série histórica mostra oscilações nas contas do setor público

Os dados mostram que o desempenho das contas do setor público em fevereiro tem variado nos últimos anos.

Confira a série histórica:

  • 2022: superávit de R$ 3,47 bilhões;
  • 2023: déficit de R$ 26,4 bilhões;
  • 2024: déficit de R$ 48,7 bilhões;
  • 2025: déficit de R$ 18,97 bilhões;
  • 2026: déficit de R$ 16,4 bilhões.

Apesar da melhora frente ao ano passado, os números mostram que o equilíbrio fiscal ainda enfrenta desafios estruturais.

Governo central concentra maior déficit

Entre os diferentes entes que compõem o setor público, o maior impacto negativo veio do governo central, que engloba Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central.

Veja o desempenho em fevereiro:

  • Governo central: déficit de R$ 29,5 bilhões;
  • Empresas estatais: déficit de R$ 568 milhões;
  • Governos regionais (estados e municípios): superávit de R$ 13,7 bilhões.

O superávit dos governos regionais ajudou a reduzir o resultado negativo consolidado do mês.

No acumulado de 12 meses até fevereiro, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 52,8 bilhões, valor equivalente a 0,41% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado representa uma redução de 0,02 ponto percentual do PIB em comparação com o déficit acumulado até janeiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central.

Juros da dívida seguem elevados

Mesmo com um déficit primário relativamente moderado, o peso dos juros continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as contas públicas.

Em fevereiro:

  • Juros nominais: R$ 84,2 bilhões;

No mesmo mês de 2025:

  • R$ 78,3 bilhões;

Segundo o Banco Central, contribuíram para a alta:

  • aumento do endividamento líquido;
  • taxa Selic elevada;
  • avanço da inflação medida pelo IPCA.

No acumulado de 12 meses, os juros somaram:

  • R$ 1,036 trilhão;
  • 8,07% do PIB.

Déficit nominal ultrapassa R$ 1 trilhão em 12 meses

Ao incluir o pagamento de juros da dívida, o resultado nominal do setor público apresenta números mais expressivos.

Em fevereiro de 2026:

  • Déficit nominal: R$ 100,6 bilhões;

No acumulado em 12 meses:

  • Déficit nominal: R$ 1,089 trilhão;
  • Equivalente a 8,48% do PIB.

O percentual permaneceu estável em relação ao mês anterior.

Dívida pública cresce e se aproxima de 80% do PIB

O relatório também mostra aumento no nível da dívida pública.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que inclui governo federal, INSS, estados e municípios, atingiu R$ 10,2 trilhões, o equivalente a 79,2% do PIB. O indicador subiu 0,5 ponto percentual em relação a janeiro.

Segundo o Banco Central, os principais fatores que explicam a elevação foram:

  • incorporação de juros da dívida;
  • emissão líquida de títulos públicos.

Por outro lado, o crescimento do PIB nominal e a valorização cambial ajudaram a reduzir parcialmente a relação dívida/PIB.

Já a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) atingiu R$ 8,4 trilhões em fevereiro, o que corresponde a 65,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador apresentou alta de 0,6 ponto percentual do PIB em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados pelo Banco Central.

O avanço da dívida líquida refletiu principalmente os impactos da incorporação de juros nominais, da valorização cambial no período e do resultado primário negativo registrado no mês.

 

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