
Flávio Bolsonaro (PL) costuma entrar nos eventos de lançamento de candidaturas de aliado pulando, dançando, mexendo os braços como se estivesse numa balada. Nem parece integrante de um dos clãs mais cintura presa da política brasileira. Nada ali é por acaso.
Nas redes, Lula (PT) costuma intercalar vídeos de discursos com conteúdos do tipo “o de hoje tá pago”. Deixa-se fotografar em caminhadas e em exercícios de musculação. “Treine, seu puto”, disse ele em um encontro em Niterói (RJ), já sabendo que viraria meme.
“Esses dias eu tava fazendo ginástica, a Janja filmou e um babaca: ‘Ah, ele não pode fazer isso porque eu tenho 45 anos e não consigo fazer. Ele tem 80 e eu não posso fazer’. Treine, seu puto! Treine, se prepare, beba menos e trabalhe para você ver como você faz”, disse.
Nada disso também é por acaso.
Na caixa de ferramentas de Flávio e companhia está uma campanha para colocar em dúvida a capacidade do atual presidente segurar mais quatro anos de mandato. O Zero Um tem 44 anos e Lula, 80.
Lula responde dizendo que está firme e forte – e a rotina na academia é prova disso.
E os adversários tentam atacar em outro flanco. Dia desses, por exemplo, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), soltou essa, meio como quem não quer nada (ele quer): “Eu jamais desrespeitaria, e não estou aqui para desrespeitar o atual mandatário da República por causa da sua idade. Mas frases desconexas deixam um alerta ao Brasil. Eu não acredito que o Brasil queira reeleger um presidente com tantos problemas cognitivos, como nós estamos vendo”.
Parece etarismo, e é.
Quem acompanha os ataques já classifica esse tipo de conversa como “protocolo Biden”, uma referência ao ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que desistiu de tentar um novo mandato depois de dar sinais de confusão mental em aparições públicas.
Lula está longe disso, mas é isso o que os rivais tentarão explorar. Haja foto na academia – e haja dança, do outro lado, para mostrar quem tem mais disposição para assumir a bucha que é administrar um país como o Brasil.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG
