O aumento no preço do querosene de aviação voltou a pressionar o setor aéreo brasileiro. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou nesta quarta-feira (1º) que o reajuste de 54,6% no combustível pode gerar “consequências severas” para a operação das companhias no país.
Segundo a entidade, a alta anunciada pela Petrobras, somada ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, elevou significativamente o peso do combustível nos custos das empresas. Com o novo cenário, o querosene de aviação passa a representar cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, patamar bem superior aos pouco mais de 30% registrados anteriormente.
Em nota, a Abear afirmou que o movimento tende a afetar a expansão da malha aérea e a oferta de serviços no país.
“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, afirmou a entidade.
Aumento do querosene de aviação: os impactos nas passagens aéreas
Apesar do impacto relevante sobre os custos das empresas, a Abear não mencionou diretamente a possibilidade de aumento no preço das passagens aéreas aos consumidores.
O aumento no preço do querosene de aviação está relacionado ao avanço das cotações do petróleo no mercado internacional. A escalada ocorreu após a intensificação do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde o início do conflito, o preço do barril de petróleo subiu de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115.
Mesmo com produção relevante no país, os preços do querosene de aviação acompanham a dinâmica do mercado internacional. Mais de 80% do combustível consumido no Brasil é produzido internamente, mas o valor segue a lógica de paridade com as cotações globais do petróleo.
Os reajustes do QAV são realizados mensalmente, no início de cada mês, conforme previsto em contrato entre a Petrobras e as distribuidoras.
Petrobras anuncia mecanismos para suavizar os efeitos do reajuste do querosene
Diante da forte alta, a Petrobras anunciou um mecanismo para suavizar os efeitos do reajuste do querosene de aviação sobre o setor.
Segundo a companhia, em abril as distribuidoras pagarão um aumento equivalente a 18%. A diferença até os cerca de 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes, com início dos pagamentos a partir de julho.
Em comunicado, a estatal afirmou que a medida busca preservar a demanda pelo combustível e reduzir os impactos sobre o setor aéreo brasileiro.
“Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado”, informou a Petrobras.
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