1 ano do tarifaço de Trump: relembre os fatos que marcaram a tensão comercial

Tarifaço de Trump eleva tensão global e expõe fragilidade fiscal do Brasil

No dia 2 de abril de 2025, data que ficou conhecida pelo próprio presidente norte-americano como “Dia da Libertação”, os Estados Unidos anunciaram um pacote de tarifas comerciais contra diversos países. O Brasil foi incluído nas chamadas tarifas recíprocas, com uma alíquota inicial de 10% sobre produtos exportados ao mercado norte-americano.

A medida marcou o início de um período de tensão comercial entre Brasília e Washington. Ao longo dos meses seguintes, o tema deixou de ser apenas econômico e passou a incorporar elementos políticos, ampliando o desgaste entre os dois países.

Em julho, Donald Trump voltou a criticar publicamente o Brasil, afirmando que o país estaria sendo “muito ruim” para os Estados Unidos e mencionando decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em meio ao discurso, o presidente americano anunciou que a tarifa sobre produtos brasileiros subiria para 50% a partir de agosto.

A escalada tarifária contribuiu para uma retração no comércio bilateral e dificultou o diálogo institucional entre os governos.

Tarifaço de Trump: comércio bilateral perdeu força

Antes das medidas tarifárias, as exportações brasileiras para os Estados Unidos vinham se recuperando após a pandemia, atingindo um pico relevante em 2022.

No entanto, após o aumento das tarifas, os números passaram a mostrar uma desaceleração relevante no fluxo comercial.

Evolução recente das exportações brasileiras para os EUA

Período Valor das exportações
Junho de 2022 US$ 4 bilhões
Faixa média pós-pandemia US$ 2,5 a US$ 3,5 bilhões por mês
Julho (pico recente) US$ 3,8 bilhões
Outubro US$ 2,2 bilhões
Novembro US$ 2,6 bilhões

Os dados indicam que, após o auge das exportações em julho, os envios brasileiros aos Estados Unidos recuaram significativamente nos meses seguintes.

Setores mais afetados

Alguns setores da economia brasileira foram impactados de forma mais direta pela nova política tarifária.

Entre os principais casos estão:

  • Café: compras norte-americanas do produto brasileiro caíram mais de 50% entre agosto e novembro, segundo dados do Cecafé;
  • Madeira: exportações brasileiras de produtos de madeira para os EUA registraram queda de 55% no período em que o tarifaço esteve em vigor, segundo análise da Abimci.

Mesmo com a retração, os Estados Unidos continuaram sendo o principal destino do café exportado pelo Brasil em 2025.

Além desses setores, algumas indústrias menores, mas altamente dependentes do mercado americano, também sofreram impacto relevante.

Entre elas:

  • pescados;
  • frutas;
  • madeira;
  • calçados.

O que o Brasil exporta para os Estados Unidos

A pauta exportadora brasileira para o mercado norte-americano é diversificada e envolve desde commodities até produtos industriais.

Entre os principais itens enviados estão:

Produto Participação nas exportações
Óleo bruto de petróleo 12,4%
Produtos semiacabados de ferro ou aço 9,1%
Aeronaves e equipamentos 7%
Café não torrado 5,2%
Ferro-gusa e ligas metálicas 4,8%
Óleos combustíveis de petróleo 4,4%
Sucos de frutas e vegetais 3,9%
Equipamentos de engenharia civil 3,6%
Celulose 3,6%
Carne bovina 3,1%

Esses produtos representam parcela significativa das exportações brasileiras para os Estados Unidos e ajudam a explicar por que a disputa tarifária teve repercussões relevantes em diferentes setores da economia.

Disputa comercial virou tema político

Com o avanço das tensões, o tarifaço passou a ser discutido também no campo político.

De um lado, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro argumentaram que as tarifas seriam consequência de decisões do Supremo Tribunal Federal. O deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que o tema teria sido discutido em reuniões com autoridades americanas.

Do outro lado, o governo Lula adotou um discurso de defesa da soberania nacional e das instituições brasileiras, posicionando a disputa como um tema de interesse da indústria e da economia do país.

Mesmo com o aumento da tensão política, as negociações buscaram manter uma abordagem técnica, com participação do setor privado e interlocução conduzida vice-presidente e então ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin.

Um encontro inesperado na ONU

Um dos momentos simbólicos da disputa ocorreu durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Sem previsão oficial de encontro, Lula e Trump acabaram se encontrando nos corredores do evento, onde trocaram uma breve conversa. Segundo Trump, o diálogo durou cerca de 20 segundos, mas abriu espaço para novas conversas entre os dois líderes.

Após o encontro, os presidentes passaram a realizar reuniões presenciais e telefonemas, discutindo tanto a relação comercial quanto temas de cooperação internacional.

Um ano depois do tarifaço de Trump

Um ano após o início do tarifaço, o episódio permanece como um dos momentos mais tensos recentes da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

O caso evidenciou como decisões tarifárias podem rapidamente ultrapassar o campo econômico e ganhar dimensão política, influenciando comércio, diplomacia e a percepção de risco nas relações entre países.

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