Fim do Pix? Flerte com Trump vira problema para Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL)Lula Marques/Agência Brasil

Flávio Bolsonaro (PL) acaba de voltar dos Estados Unidos, onde se reuniu, em Dallas, com os parceiros do Cpac, espécie de Rock in Rio dos políticos conservadores (leia-se reacionários) do mundo.

Como o pai, ele colocou as eleições de seu país em dúvida e pediu intervenção aos anfitriões. Também se colocou à disposição para os Estados Unidos pilharem os minerais de terras-raras do Brasil, estratégicas para inovação tecnológica, e disse ser favorável à classificação de facções criminosas como “terroristas”, uma maneira de dar sinal verde para ataques e invasões como os promovidos contra o Líbano por causa do Hezbollah.

Flávio praticamente disse lá fora o que Raul Seixas cantava em tom de ironia: a solução é alugar o Brasil. No caso dele, vender a  qualquer preço.

Donald Trump, claro, ficou salivando, e não esperou nem chegar a eleição para dizer o que quer. Um relatório divulgado pela Casa Branca nesta quarta-feira (1º) criticou o acordo do Brasil com o Mercosul e detonou o sistema PIX por supostamente prejudicar gigantes de cartão de crédito norte-americanas, como Visa e Mastercard.

Pode ser que nem Flávio, o entreguista oficial da campanha, tenha coragem de mexer nesse vespeiro, mas quem sabe ligar os pontos ligou também o alerta. Não demorou para os adversários colarem na testa do Zero Um a acusação de que, uma vez eleito, ele acabará com o Pix, como quer o chefe da turma, Donald Trump.

Nessas horas defender o país é como reagir quando alguém fala mal ou bate em alguém da nossa família. O Brasil tem lá seus problemas, pensam esses eleitores, mas são os “nossos problemas” – e ninguém deve meter o bedelho, nem com ameaças financeiras nem com bombas.

Em 2025, Trump inventou, sob incentivo de Eduardo Bolsonaro, um tarifaço contra importações brasileiras em protesto contra o que chamou de perseguição contra o pai do clã, Jair. Lula reagiu, colou no rival a pecha de traidor da pátria e viu a popularidade crescer.

No momento em que Flávio se consolidava como um adversário competitivo, segundo as pesquisas, o republicano arremessou a casca-de-banana e ele correu para escorregar. Lula, de novo, agradece.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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