
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deve votar neste sábado (3) uma resolução proposta pelo Bahrein para tentar garantir o uso de força para navegar no Estreito de Ormuz. As informações são da Reuters.
- ENTENDA O CASO: 40 países pedem reabertura de Ormuz e estudam sanções sobre o Irã
O texto abre caminho para medidas de proteção a navios comerciais em uma das rotas mais importantes do mundo, hoje diretamente afetada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Mas a votação já começa cercada de incerteza.
A China indicou que não concorda com qualquer autorização para uso da força e pode barrar a proposta. Rússia e França também fizeram ressalvas durante as negociações, segundo diplomatas.
Divisão entre potências trava avanço
O texto passou por mudanças nos últimos dias justamente para tentar reduzir resistências, mas não está claro se isso será suficiente.
No Conselho de Segurança, uma resolução só passa se tiver apoio suficiente entre os países e, principalmente, se nenhum dos cinco membros permanentes usar o poder de veto. Esse grupo é formado por Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
Ou seja: mesmo que a maioria apoie, basta um desses países votar contra para derrubar a proposta.
É esse risco que pesa agora sobre a votação.
- SAIBA MAIS: Trump diz que Estreito de Ormuz “vai se abrir naturalmente”
Nos bastidores, o clima é de divisão, de acordo com a Reuters. De um lado, países do Golfo e os Estados Unidos defendem uma resposta mais firme para garantir a passagem de navios. Do outro, há temor de que qualquer sinal verde para ação militar aumente ainda mais a tensão na região.
Enquanto isso, o impacto já é sentido fora do campo diplomático.
O preço do petróleo reagiu rápido à crise, e o Estreito de Ormuz virou peça central nesse cenário. É por ali que passa uma fatia importante da energia consumida no mundo. Quando a rota trava, o efeito aparece quase imediatamente.
O Bahrein, que apresentou a proposta, diz que a situação não pode se arrastar. O chanceler do país afirmou que a navegação internacional está sob ameaça e que é preciso uma resposta coordenada.
A iniciativa também tem apoio de outros países árabes, que pressionam por uma solução rápida para evitar mais danos à economia global.
Guerra entra na quinta semana sem sinal de trégua

A votação acontece enquanto o conflito no Oriente Médio continua avançando.
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã. Nos primeiros dias, bombardeios atingiram alvos estratégicos em Teerã e mataram o líder supremo Ali Khamenei.
Desde então, o confronto se espalhou. O Irã passou a responder com mísseis e drones, e países do Golfo também entraram na rota dos ataques. No Líbano, o Hezbollah abriu uma nova frente contra Israel.
Com isso, o Estreito de Ormuz ganhou ainda mais peso. Além do impacto econômico, virou também um dos principais pontos de disputa militar.
Nos últimos dias, houve promessas, ameaças e até sinais de negociação, mas, na prática, os ataques continuam.
