
Entre tantas histórias de guerra, por vezes surgem aquelas que, de tão extraordinárias, tornam-se candidatas naturais a roteiros de Hollywood. Uma delas ocorreu no último fim de semana, quando um F-15E Strike Eagle americano foi derrubado enquanto sobrevoava o território iraniano.
Seus dois tripulantes ejetaram-se da nave de acordo com o protocolo, segundo o qual devem reservar alguns segundos de intervalo entre uma ejeção e outra para não correrem o risco de se chocarem no ar. A desvantagem do procedimento decorre da distância que se abre entre ambos ao atingirem o solo.
O piloto da aeronave foi localizado e resgatado poucas horas após o incidente. Já o segundo tripulante, oficial do sistema de armas e também chamado de “backseater”, teve que se esconder e aguardar ajuda.
Ambos estavam equipados com instrumentos de comunicação e de localização. Assim, além de terem sua posição monitorada pelas forças aéreas americanas, mantiveram contato em tempo integral.
Caçada ao sobrevivente
Enquanto isso, a TV estatal iraniana noticiava o evento e oferecia uma recompensa de 60 mil dólares a quem localizasse o segundo tripulante. As forças da Guarda Revolucionária iniciaram uma verdadeira caçada ao sobrevivente. A captura de um soldado americano seria uma carta valiosíssima para o regime islâmico.

Os Estados Unidos enviaram dezenas de aeronaves para a região do incidente, criando um “círculo de fogo” em torno da área onde o aviador aguardava resgate. Um A-10 que dava suporte à missão foi atingido pelas forças iranianas. O piloto, no entanto, conseguiu desviar a nave até o Kuwait, onde aterrissou com segurança. Dois helicópteros Black Hawk também foram atingidos. Eles conseguiram pousar com segurança, mas seus tripulantes ficaram feridos. Vários soldados da Guarda Revolucionária Iraniana foram mortos nesses confrontos.
No sábado, durante o dia, a CIA lançou uma campanha de desinformação no Irã, noticiando que o segundo aviador havia sido localizado e que ele seria retirado por terra. Enquanto isso, a força aérea americana preparava sua verdadeira “extração”, que ocorreria à noite.
Aeronaves americanas aterrissaram em uma linha de pouso rudimentar nas proximidades da queda do jato. Pelo menos duas aeronaves não conseguiram levantar voo — e os EUA decidiram destruí-las.
Durante toda a operação, Israel interrompeu os ataques aéreos naquela região. Os dois países têm um acordo de não compartilhar missões, a fim de evitar erros humanos.
Treinamento de sobrevivência
Em situações como essa, a prioridade dos aviadores é manter-se vivos e evitar a captura a todo custo. Eles são treinados para ejetar-se da nave o quanto antes e buscar esconderijo. Durante seus longos anos de treinamento, aprendem também técnicas de sobrevivência e, assim, conseguem passar por longos períodos sem água ou comida, buscando recursos no próprio local.
A história é incrível, mas faz surgir uma dúvida crucial a respeito da narrativa da coalizão Israel-Estados Unidos: o Irã não estava totalmente incapacitado de proteger seu espaço aéreo?
Tudo indica que ainda há surpresas nesse conflito. Ainda assim, este roteiro hollywoodiano já está pronto para as filmagens.
