Bauru é o pior município do estado de São Paulo no tratamento de esgoto, aponta ranking


Bauru ocupa as piores posições em ranking nacional de saneamento básico
Bauru (SP) ocupa a pior posição entre os municípios paulistas no tratamento de esgoto, segundo o Ranking do Saneamento Básico 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil (ITB).
A cidade trata apenas 2,85% do esgoto gerado, índice inferior ao registrado em 2025, quando o percentual era de 3,20%.
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Já entre as 100 cidades mais populosas do Brasil, Bauru ocupa a 79ª posição no ranking geral, com nota 4,98 de 10.
O estudo analisou ainda outros indicadores que englobam o saneamento básico:
Atendimento de água: 94,02%
Perdas na distribuição de água: 44,26%
Investimento médio per capita: R$ 23,94 – bem abaixo dos R$ 225 estimados pelo Plano Nacional de Saneamento para universalização dos serviços
O que é saneamento básico?
O saneamento básico engloba quatro pilares principais: fornecimento de água tratada, coleta e tratamento de esgoto, gestão de resíduos sólidos e drenagem urbana.
Para o Prof. Dr. Jozrael Henriques Rezende, docente e pesquisador da Fatec Jahu nas áreas de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o saneamento é, antes de tudo, uma questão de infraestrutura e saúde pública.
“O saneamento público é uma questão de saúde pública. Água tratada e coleta de esgoto previnem uma série de doenças de veiculação hídrica. Estima-se que para cada R$ 1 investido em saneamento, você tem uma economia de R$ 4 em despesas de saúde”, afirma o professor em entrevista ao g1.
Esgoto sendo despejado no Rio Bauru, na avenida Nuno de Assis
TV TEM/Reprodução
A falta de tratamento de esgoto em Bauru não afeta apenas seus moradores. O esgoto não tratado é lançado no Rio Bauru, que deságua no Rio Tietê, comprometendo toda a bacia hidrográfica da região.
“Ao não tratar, você tem um problema ambiental sério: o Rio Bauru deságua no Rio Tietê, agravando os problemas de um rio que já vem poluído desde a região metropolitana”, explica o professor Jozrael.
Bauru é o único dos 34 municípios pertencentes à Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Tietê-Jacaré (UGRHI-13) que não trata o esgoto doméstico. Os outros 33 tratam praticamente a totalidade do que geram.
Como Bauru concentra cerca de 400 mil habitantes, aproximadamente 25% da população total da bacia, que soma 1,6 milhão de pessoas, o impacto é desproporcional.
“O único município que não trata o esgoto na nossa bacia é Bauru. Como representa 25% da população total, temos 400 mil habitantes lançando esgoto sem tratamento no Rio Bauru e, consequentemente, no Rio Tietê”, explica .
Bacia Tietê Jacaré UGHRHI-13
Reprodução
O professor é também membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Tietê-Jacaré, fórum de diálogo que investe entre R$ 18 e R$ 20 milhões anuais na região. Recentemente, foi aprovado pelo comitê um projeto de engenharia natural para a revitalização de um trecho de rio urbano em Bauru.
No entanto, o especialista alerta que esses recursos não são suficientes para resolver o déficit estrutural da cidade, responsabilidade que segundo ele, é do poder público municipal.
“Não dá para resolver os problemas de Bauru, mas dá para contribuir, dá para ser um fórum de diálogo, de benchmarking, para mostrar coisas importantes.”
Segurança hídrica também preocupa
Além do esgoto, Bauru enfrenta um problema crônico de abastecimento de água. A dependência da bacia do Rio Batalha,um manancial de pequeno porte, representa um risco crescente diante do aumento da demanda.
“Por mais que se façam obras, ele não dá conta. É preciso pensar em outras alternativas de abastecimento para garantir a segurança hídrica da população e das atividades produtivas”, avalia o professor.
Lagoa de captação do Rio Batalha em outubro de 2025
Gabriel Pelosi/TV TEM
A insegurança hídrica se manifesta em outros dois extremos: a falta de água nas torneiras em períodos de seca e os alagamentos causados por chuvas intensas.
“Isso tem levado a grandes prejuízos econômicos e muita insegurança à população”, diz Jozrael.
Avenida Nações Unidas registrou pontos de alagamentos após chuva em março de 2026
Gabriel Pelosi/TV TEM
Privatização como saída?
Diante de mais de duas décadas sem avanços na questão do esgoto, a Prefeitura de Bauru publicou, em edição extra do Diário Oficial, no dia 27 de março a homologação da licitação para concessão do sistema de esgoto da cidade por 30 anos, incluindo a conclusão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa.
O vencedor foi o Consórcio Saneamento Bauru, liderado pela Companhia Brasileira de Infraestrutura (CBI), que ofereceu fator tarifário de 0,62 — desconto de 38% sobre a tarifa máxima. O contrato deve ser assinado nos próximos dias.
O professor Jozrael vê a medida com cautela, mas como um caminho possível.
“A privatização pode ser um caminho, haja vista que a autarquia não conseguiu resolver essa questão há mais de 20 anos. Mas é preciso critério: o processo deve ser muito bem conduzido e os termos de referência bem elaborados para não ‘comprar gato por lebre'”, alerta.
Vista aérea das obras da ETE Vargem Limpa em Bauru (SP)
Prefeitura de Bauru/Divulgação
Além de administrar a coleta, o transporte, o tratamento e a disposição final do esgoto, o consórcio será responsável pela conclusão da ETE Vargem Limpa — obra paralisada desde 2021, com retomada prevista para o início do segundo semestre e conclusão estimada até 2028.
O contrato também inclui a implantação das ETEs Tibiriçá e Candeia, melhorias na rede de coleta, instalação de hidrômetros e, a partir do quarto ano de concessão, as obras de drenagem da Avenida Nações Unidas, que enfrenta problemas históricos de enchentes, com orçamento estimado em R$ 3,6 bilhões.
O que diz a prefeitura
O g1 entrou em contato com a prefeitura de Bauru sobre os pontos abordados na reportagem.
Sobre o tratamento de esgoto, a prefeitura disse, em nota que trabalha para resolver de forma definitiva a questão no município, com a concessão da ETE Vargem Limpa já homologada.
Segundo a administração, a expectativa é que a medida melhore o desempenho de Bauru nos rankings de saneamento.
Sobre o investimento per capita abaixo da média nacional, a prefeitura afirmou que os aportes devem aumentar com a retomada das obras da estação e os investimentos previstos no contrato de concessão, que também inclui a modernização de outras unidades de tratamento.
Já em relação à segurança hídrica e à falta de água, a administração informou que o DAE executa o programa Água de Todos, com a perfuração de quatro poços no Complexo Vale de Palmas. Um deles já está em execução, outro foi licitado e os demais seguem em processo de contratação, além da implantação de 14 quilômetros de adutoras.
A prefeitura destacou ainda que, com essas obras, a dependência do Rio Batalha deve cair de 27% para cerca de 12,5% da população abastecida pela fonte, enquanto o rio também recebe ações de recuperação, como o desassoreamento da represa e reforço na manutenção.
Confira a nota na íntegra
A Prefeitura de Bauru trabalha para solucionar de forma definitiva o tratamento de esgoto no município, o que permitirá uma melhoria significativa no posicionamento da cidade nos rankings de saneamento básico.
A licitação para a concessão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa foi homologada na última semana, tendo como vencedor o Consórcio Saneamento Bauru. A assinatura do contrato deve ocorrer nos próximos dias.
A retomada das obras da ETE está prevista para o início do segundo semestre, com conclusão estimada até 2028. O consórcio será responsável, por um período de 30 anos, pela operação e manutenção da ETE e de todo o sistema de esgotamento sanitário do município. Isso inclui também as ETEs Candeia e do distrito de Tibiriçá, que receberão investimentos para modernização.
Outra obrigação do consórcio será a execução das obras de drenagem na avenida Nações Unidas, que há décadas enfrenta problemas com enchentes. A intervenção está prevista para ocorrer a partir do sexto ano de contrato.
A fiscalização do cumprimento dos prazos e das obrigações contratuais será realizada pelo município, com o apoio de agência reguladora, conforme previsto no edital de concessão.
O investimento per capita em saneamento também será ampliado com a retomada das obras de tratamento de esgoto e com os recursos destinados ao abastecimento de água. Nesse contexto, a Prefeitura de Bauru e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) lançaram, no ano passado, o programa ‘Água de Todos’, que prevê a perfuração de quatro poços, formando o Complexo de Poços Val de Palmas.
Atualmente, um dos poços já está em perfuração, o segundo foi licitado pelo DAE e os outros dois estão com licitações em andamento. Ao todo, serão implantados 14 quilômetros de adutoras, sendo que a principal delas, com 5,5 quilômetros de extensão, já está em execução.
Com esses investimentos, a dependência do Rio Batalha será reduzida, passando dos atuais 27% para cerca de 12,5% da população abastecida por essa fonte. Paralelamente, o rio também passa por ações de recuperação. O DAE contratou uma empresa especializada para realizar o desassoreamento da represa de captação e adquiriu novos equipamentos para garantir a limpeza e manutenção permanentes.
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