A semana que começa nesta segunda-feira (6) promete uma agenda carregada de indicadores econômicos no Brasil e no exterior, com destaque para dados de inflação, atividade e política monetária. Após uma semana mais curta por conta da Sexta-feira Santa, os mercados globais encerraram o período anterior com forte desempenho, impulsionados principalmente por indicadores positivos da economia americana.
No Brasil, o cenário recente também tem sido de recuperação nos ativos domésticos. O Ibovespa acumula alta de 16,71% no ano, com avanço de 0,31% em abril e ganho de 3,58% na última semana. Já o real apresentou valorização frente ao dólar. A moeda americana encerrou a quinta-feira (2) cotada a R$ 5,1599, registrando queda de 1,56% na semana e desvalorização de cerca de 6% no acumulado do ano.
O fluxo de capital estrangeiro também segue positivo. Na B3, investidores internacionais ingressaram com R$ 2,18 bilhões no dia 31 de março, elevando o saldo para R$ 11,8 bilhões no mês e R$ 53,3 bilhões no ano. Em sentido oposto, investidores institucionais domésticos retiraram R$ 1,01 bilhão no mesmo dia, acumulando saída de R$ 8,1 bilhões no mês e R$ 39 bilhões no ano.
Inflação global será o principal foco da semana
Para Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do programa Pre Market da BM&C News, a agenda econômica desta semana deve concentrar a atenção dos investidores principalmente nos dados de inflação das principais economias.
Segundo ele, o mercado deve acompanhar de perto as divulgações nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil, especialmente em um contexto de pressão nos preços de energia.
“Essa primeira semana longa reserva uma bateria de indicadores aqui no Brasil e também no exterior”, afirma Francisco Alves. “Teremos dados importantes como a ata do Fed e números de inflação, como o IPCA no Brasil e o CPI nos Estados Unidos, muito aguardado pelo mercado”, acrescenta.
Nos Estados Unidos, o indicador mais aguardado será o CPI de março, que será divulgado na sexta-feira (10). O dado pode refletir o impacto recente da alta do petróleo sobre os preços ao consumidor.
“O CPI americano deverá trazer dados já relacionados ao aumento do preço do petróleo, impactando os números da inflação americana”, explica Alves.
Dados de atividade e política monetária também entram no radar
Além da inflação, os investidores também devem acompanhar indicadores de atividade e sinais de política monetária nas principais economias.
Na quarta-feira (8), será divulgada a ata da última reunião do Federal Reserve, documento que pode oferecer pistas sobre os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos.
Na avaliação de Francisco Alves, o mercado ainda está digerindo os números do mercado de trabalho divulgados na semana passada.
“Os dados vieram em linha ou acima do esperado, com payroll mais forte e queda na taxa de desemprego, o que mantém os investidores atentos ao comportamento da inflação nas próximas divulgações”, observa.
Outro indicador relevante será o PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve, além da revisão final do PIB americano do quarto trimestre, ambos previstos para quinta-feira (9).
Agenda inclui decisões de juros e inflação na China
A agenda global também inclui decisões de política monetária em outras economias importantes.
O Banco Central da Nova Zelândia e o Banco Central da Índia devem anunciar suas decisões de juros ao longo da semana, em um momento em que diversas autoridades monetárias seguem calibrando o ritmo de suas políticas diante de pressões inflacionárias.
Na China, serão divulgados os dados de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) de março, indicadores que ajudam a medir o ritmo da atividade econômica na segunda maior economia do mundo.
Petróleo e Oriente Médio permanecem no radar
Além dos indicadores econômicos, fatores geopolíticos seguem no radar dos investidores. Segundo Francisco Alves, os desdobramentos do conflito no Oriente Médio podem continuar influenciando os mercados ao longo da semana.
“Os mercados internacionais também devem acompanhar os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, especialmente as movimentações envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã”, afirma.
Outro ponto de atenção é a situação da navegação no estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo.
“Notícias sobre uma possível liberação ou liberação parcial da navegação no canal de Ormuz também devem influenciar os mercados”, destaca.
Diante desse cenário, a combinação entre dados de inflação, decisões de política monetária e tensões geopolíticas deve definir o tom dos mercados globais ao longo da semana.
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