O carro de Fórmula E da Nissan revolucionou o automobilismo elétrico ao explorar uma lacuna genial no regulamento da FIA. O sistema de motor duplo criado pelo engenheiro Chris Vagg transformou a categoria, mas sua superioridade técnica foi tão esmagadora que a federação foi forçada a bani-lo após apenas uma temporada.
Como o engenheiro Chris Vagg explorou a lacuna do regulamento?
Na Fórmula E, as regras limitam estritamente a quantidade de energia que a bateria pode recuperar e armazenar durante a frenagem. O engenheiro Chris Vagg, da equipe Nissan e.dams, percebeu que as regras não limitavam o armazenamento de energia cinética fora da bateria química.
A solução foi instalar um segundo motor elétrico acoplado ao trem de força. Esse segundo motor não estava ligado às rodas, mas girava livremente a impressionantes 100.000 RPM (rotações por minuto) no vácuo, atuando como um “volante de inércia” (flywheel) digital para armazenar a energia das frenagens.

Por que o sistema de motor duplo funcionava como um “flywheel” digital?
Quando o piloto freava, a energia que excedia o limite de recarga da bateria era direcionada para acelerar esse segundo motor (flywheel). Na saída das curvas, essa energia cinética armazenada era descarregada instantaneamente de volta para o motor principal, fornecendo um impulso de potência extra sem esgotar a bateria.
Para que você compreenda a vantagem dessa inovação tecnológica nas pistas, preparamos uma comparação técnica de eficiência:
| Componente Técnico | Carro Padrão (Fórmula E) | Carro Nissan (Motor Duplo) |
| Recuperação de Energia | Limitada à capacidade da bateria | Excede o limite usando o Flywheel |
| Eficiência na Saída de Curva | Queda momentânea de torque | Impulso extra e torque constante |
| Gestão Térmica | Bateria aquece rapidamente | Bateria poupada, menor aquecimento |
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Como a inovação atuou como uma transmissão continuamente variável (CVT)?
Além do armazenamento de energia, o sistema de motor duplo da Nissan funcionava na prática como uma transmissão continuamente variável (e-CVT). Ele permitia que os motores elétricos operassem sempre em sua faixa de eficiência máxima, independentemente da velocidade do carro nas pistas de rua estreitas.
O resultado foi devastador para os concorrentes. Nas qualificações, o carro da Fórmula E da Nissan chegava a ser 0,8 segundos mais rápido por volta, uma eternidade no automobilismo de alto nível. A aceleração na saída das curvas era tão superior que os pilotos da Nissan pareciam estar em uma categoria diferente.
Para descobrir a genialidade por trás de soluções técnicas inusitadas nas pistas, selecionamos o conteúdo do canal Driver61. No vídeo a seguir, o criador explora a história de um carro de corrida banido que utilizava um sistema de volante de inércia para contornar as regras de potência, explicando como essa inovação funcionava e por que assustou a concorrência:
Onde encontrar os dados oficiais sobre o banimento da FIA?
A superioridade do projeto acendeu o alerta vermelho na direção da categoria. A preocupação era que o desenvolvimento de um sistema similar custaria milhões e levaria anos para as outras equipes, destruindo o equilíbrio financeiro e competitivo do campeonato.
De acordo com os relatórios técnicos da Federação Internacional do Automóvel (FIA), a decisão foi rápida. A entidade atualizou o regulamento para a temporada seguinte, proibindo explicitamente o uso de dois motores acoplados, forçando a Nissan a abandonar seu projeto revolucionário e redesenhar o carro do zero.
Qual o legado dessa tecnologia para os carros elétricos comuns?
Embora banida das pistas, a inovação provou o potencial inexplorado do gerenciamento de energia cinética. O conceito de usar motores elétricos como volantes de inércia pode, no futuro, ser aplicado em hipercarros de rua para melhorar a eficiência da frenagem regenerativa.
A história do carro de Fórmula E da Nissan é um lembrete clássico da essência do automobilismo: a eterna corrida entre a genialidade dos engenheiros para encontrar brechas nas regras e o esforço dos organizadores para mantê-las fechadas. Foi uma vitória da engenharia, mesmo terminando em um banimento.
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