
Os astronautas da missão Artemis II viverão uma experiência única nesta segunda-feira (6). Ao contornarem o lado oculto da Lua, os quatro tripulantes irão observar um eclipse solar total, durante uma trajetória que estabelece um novo recorde de distância já alcançada por seres humanos.
O evento deve durar 53 minutos e será visível apenas a bordo da missão, sem possibilidade de observação a partir da Terra.
- Veja também: Artemis II: saiba tudo do retorno do homem à Lua após 50 anos
Segundo o portal Space, a líder de operações científicas de voo da Artemis na NASA, Kelsey Young, afirmou que a mudança de ponto de vista faz com que a Lua pareça maior para os astronautas, alterando a forma como o eclipse é observado em relação à Terra.
Em coletiva realizada no último sábado (4), a cientista explicou que, para quem está no planeta, Sol e Lua aparentam ter tamanhos semelhantes no céu. Já para a tripulação da Orion, a percepção é diferente, com a Lua ocupando uma proporção maior no campo de visão, devido ao trajeto que a nave faz.
Como resultado, o Sol ficará encoberto para a tripulação da missão Artemis II por cerca de 53 minutos, segundo a NASA. O tempo estimado é cerca de sete vezes maior do que o máximo que um eclipse total costuma durar quando visto da Terra.
Quando e como o eclipse será visto no espaço?

O eclipse solar total observado pela tripulação da Artemis II começa nesta segunda (6), por volta das 21h35 (horário de Brasília). O fenômeno deve ocorrer cerca de 90 minutos depois de a nave Orion atingir seu ponto mais distante da Terra, a aproximadamente 406 mil quilômetros. A marca supera em cerca de 6,4 mil quilômetros o recorde estabelecido pela missão Apollo 13, em 1970.
A NASA pretende aproveitar o momento para orientar a tripulação a realizar observações detalhadas da coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol. Normalmente, essa região é ofuscada pela intensa luminosidade do astro, mas poderá ser vista durante o eclipse.

De acordo com Kelsey Young, os astronautas receberam orientações para descrever o que observarem na coroa solar, o que pode ajudar cientistas a entender melhor esses processos a partir de um ponto de vista único no espaço.
Ela destaca que a observação humana faz diferença, já que os olhos conseguem perceber nuances de cores que câmeras nem sempre captam. Como exemplo, citou a missão Apollo 17, quando astronautas identificaram um solo alaranjado na Lua, revelando atividade vulcânica mais recente do que se imaginava.
Por isso, a expectativa é que as observações feitas durante o sobrevoo tragam contribuições valiosas, especialmente em regiões ainda não foram vistas por humanos.
Apesar da importância, o evento desta segunda-feira não é totalmente inédito. Segundo Kelsey Young, astronautas das missões Apollo, que orbitaram a Lua, também já observaram eclipses solares a partir da região lunar.
Missão Artemis II

A chance de observar o eclipse solar total não estava nos planos iniciais da Artemis II. A missão teve o lançamento foi adiado em fevereiro e março devido a ajustes no foguete Space Launch System, e a deixa em abril acabou coincidindo com a janela do fenômeno.
A missão é a segunda do Programa Artemis e marca o primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos. O principal objetivo é testar sistemas e equipamentos com astronautas a bordo, preparando futuras viagens até a superfície lunar.
Os dados coletados serão essenciais para viabilizar o retorno humano ao satélite natural. Além disso, a missão levará a tripulação a uma distância recorde no espaço, permitindo a observação direta do lado oculto da Lua.
O lançamento da nave Orion ocorreu em 1º de abril, com o comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e os especialistas de missão Christina Koch, a primeira mulher designada para uma missão lunar, e Jeremy Hansen, o primeiro canadense a participar de uma missão lunar.
Após a passagem pela Lua, a nave iniciará o retorno à Terra, com pouso previsto para sexta-feira (10), encerrando a missão de cerca de 10 dias.
