Alunas denunciam professores da UFG por assédio e tomam faculdade

Universidade Federal de Goiás (UFG)Divulgação/UFG

Alunas de Psicologia da Universidade Federal de Goiás (UFG) ocuparam a Faculdade de Educação depois que cartas com acusações contra professores apareceram dentro do prédio, no fim de março.

A mobilização começou após os textos apontarem casos de assédio contra alunas e violência fora do ambiente acadêmico envolvendo um ex-coordenador do curso e outro docente.

As cartas foram encontradas nos dias 25 e 30 de março nos banheiros da unidade. Um dos nomes citados responde a processo ligado à Lei Maria da Penha no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), que corre sob sigilo.

Outro professor é acusado por estudantes de ameaçar uma servidora grávida para que interrompesse a gestação.

Após a circulação das denúncias, alunas fecharam salas com cadeiras, colaram cartazes e realizaram assembleias dentro da faculdade. Elas pedem o afastamento dos docentes citados e um posicionamento da universidade.

Em manifesto, estudantes relatam medo dentro do campus.

O Centro Acadêmico de Psicologia afirmou que há docentes denunciados permanecendo na unidade e citou entraves internos para medidas imediatas. A entidade também disse que a situação afeta estudantes, maioria no curso.

A Universidade Federal de Goiás informou que há duas denúncias registradas na Ouvidoria, ambas contra um docente, feitas na última semana. Segundo a instituição, os processos seguem sob sigilo e qualquer afastamento depende de análise formal.

  • VEJA AINDA: Muro de casarão desaba e mata duas pessoas no Recife (PE)

A universidade também declarou que não há ocupação neste momento e que as aulas continuam. A direção da Faculdade de Educação organizou ações de acolhimento e discussão sobre assédio nos próximos dias.

Posicionamentos

Nota do Centro Acadêmico de Psicologia (na íntegra)

“O Centro Acadêmico de Psicologia e a A.A.A.P. Neurótica vêm por meio desta nota repudiar os processos violentos que cercam a Faculdade de Educação e o curso de Psicologia. Nos últimos dias, cartas anônimas apareceram na Faculdade de Educação, denunciando a permanência de docentes assediadores e agressores. Existe um entrave institucional e burocrático que mantém esses agressores próximos e que nós, enquanto entidade inserida nesta instituição, compreendemos e respeitamos. Contudo, o medo e o desconforto não estão burocratizados, muito menos a revolta e o movimento social.

É preciso rememorar que a universidade é um espaço composto por todos nós e que é imperativo que a segurança do corpo discente seja resguardada. Rememoramos também que a Faculdade de Educação é um espaço composto majoritariamente por mulheres, sejam estas discentes, docentes ou servidoras. É diante disso que o CAPsi se coloca solidário à mobilização que segue ocorrendo e se coloca à disposição dos e das discentes para as mobilização e ações. Mobilizemo-nos por nós, pelas que aqui passaram e pelas que virão.”

Nota oficial da UFG (na íntegra)

“A Universidade Federal de Goiás (UFG) tem normativa que orienta a comunidade acadêmica para que toda denúncia de assédio seja formalizada na Ouvidoria, por ser o meio legalmente previsto para apuração dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos. Duas denúncias contra um docente da Faculdade de Educação (FE) foram registradas perante a Ouvidoria da UFG, ambas na última semana.

Após o recebimento das denúncias, estas foram encaminhadas pela Ouvidoria aos órgãos competentes e os processos tramitam sob sigilo, como prevê a legislação. O afastamento de qualquer servidor depende, após a formalização da denúncia, da análise pelos órgãos competentes, seguindo o devido processo legal.

Estão programadas ações conjuntas na Faculdade de Educação nos próximos dias, organizadas pela direção da unidade, pela Ouvidoria e pela Secretaria de Inclusão da Universidade, com atividades de acolhimento e diálogo sobre assédio moral e sexual.

O canal oficial de recebimento de denúncias na Ouvidoria da UFG é a Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação – Fala.BR (acessível pelo link falabr.cgu.gov.br). A plataforma garante o anonimato do denunciante, o acompanhamento das respostas institucionais e o cumprimento dos prazos estabelecidos na legislação.

Secretaria de Comunicação da UFG.”

Adicionar aos favoritos o Link permanente.