Petróleo despenca após anúncio de cessar-fogo entre EUA e Irã: como isso afeta o Brasil


Alta do petróleo pressiona preço de embalagens no Brasil
Os preços globais do petróleo caíram e os mercados de ações dispararam depois que os Estados Unidos e o Irã prometeram um acordo de cessar-fogo de duas semanas que inclui a reabertura da importante via navegável do estreito de Ormuz.
O preço do petróleo Brent, referência internacional, caiu cerca de 13%, para US$ 94,80 (R$ 488,48) o barril, enquanto o petróleo negociado nos EUA caiu mais de 15%, para US$ 95,75 (R$ 493,40).
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Mas os preços permanecem mais altos do que antes do início do conflito, em 28 de fevereiro — na época, o barril era negociado a cerca de US$ 70 (R$ 360,97).
Como isso afeta o Brasil
O Brasil pode se beneficiar desse novo cenário, já que a baixa do petróleo Brent invariavelmente deve atingir o mercado nacional, que contava, até então, com ajuda apenas de um pacote do governo federal para segurar o encarecimento dos combustíveis no país e o impacto da alta do querosene no preço das passagens aéreas.
O diesel preocupa o governo Lula (PT), por ser o principal combustível que alimenta o transporte de mercadorias e da safra agrícola do Brasil. O Palácio do Planalto já havia anunciado, em 12 de março, R$ 30 bilhões para mitigar seu encarecimento.
O objetivo era garantir um desconto de R$ 0,64 por litro no preço na bomba, ao aliar redução de impostos e uma subvenção de R$ 0,32 por litro produzido no Brasil ou importado.
A subvenção é um incentivo dado diretamente às empresas pelo governo. Nesse segundo conjunto de ações anunciado agora, a gestão Lula ampliou esse subsídio, que chegará a R$ 1,12 para o litro produzido no país.
Há ainda a isenção dos impostos federais (PIS e Cofins) para o querosene de aviação (QAV) — gerando economia de R$ 0,07 por litro de combustível —, duas linhas de crédito no valor de R$ 9 bilhões para o setor e a prorrogação para dezembro das tarifas de navegação da Força Aérea Brasileira referentes a abril, maio e junho.
O problema é que este pacote se vê ameaçado, principalmente as medidas ligadas ao diesel, que ainda não chegaram integralmente aos consumidores por limitações na implementação da subvenção.
Isso porque três grandes empresas do setor (Vibra — a antiga BR Distribuidora —, Ipiranga e Raízen), responsáveis por metade das importações privadas de diesel, não aderiram à política.
A falta de adesão estaria relacionada à obrigação de seguir limites para o preço do diesel, estabelecidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a partir de valores de mercado.
Nesse sentido, portanto, uma queda dos preços globais pode ajudar a contornar a falta de adesão do pacote governamental.
A situação da Ásia
Petróleo despenca após anúncio de cessar-fogo entre EUA e Irã: como isso afeta o Brasil
Costfoto/NurPhoto via Getty Images
Os principais índices de ações da região Ásia-Pacífico subiram na manhã de quarta-feira (8/4).
O Nikkei 225 do Japão subiu 5%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul saltou quase 6%. O índice Hang Seng de Hong Kong subiu 2,8%, enquanto o ASX 200 da Austrália teve alta de 2,7%.
Os futuros do mercado de ações dos EUA também apontavam para uma abertura em alta em Wall Street.
O custo da energia havia disparado nessa região, já que o fornecimento de petróleo e gás do Oriente Médio foi severamente interrompido depois que o Irã ameaçou atacar navios que tentassem usar o estreito de Ormuz.
Apesar de suas ameaças, Trump provavelmente estava receoso de deixar os preços da energia aumentarem mais ainda ao intensificar o conflito, diz Xavier Smith, da empresa de pesquisa de mercado AlphaSense.
Isso poderia ter levado a uma “ferida econômica autoinfligida” que poucos arriscariam, especialmente considerando a pressão iminente dos índices de aprovação sobre a liderança de Trump, disse Smith, que é diretor de pesquisa.
Mais petroleiros retidos perto do estreito podem conseguir passar pela hidrovia durante o cessar-fogo, proporcionando algum alívio para os mercados nas próximas semanas, afirma o analista Saul Kavonic, da empresa de serviços financeiros MST Marquee.
Apesar do conflito, alguns navios passaram pelo estreito de Ormuz, embora em número muito menor do que o habitual.
Países asiáticos — incluindo Índia, Malásia e Filipinas — negociaram passagem segura para seus navios nas últimas semanas.
A China também admitiu que vários de seus navios cruzaram o estreito desde o início da guerra. E um navio porta-contentores com bandeira de Malta, pertencente à empresa francesa CMA CGM, cruzou a rota marítima, confirmou na sexta-feira a organização de mídia BFM TV, que pertence à empresa de navegação.
Um navio japonês transportando gás natural também conseguiu sair do estreito, confirmou a gigante do transporte marítimo MOL.
Kavonic afirmou que, embora haja um cessar-fogo em vigor, ainda é improvável que a produção de energia no Oriente Médio seja totalmente retomada até que haja confiança em um acordo de paz duradouro.
Ele acrescentou que a retomada da produção também pode levar meses devido aos danos causados ​​à infraestrutura energética da região.
O Irã atacou infraestruturas energéticas e industriais em toda a região rica em petróleo em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel.
A reparação dos danos pode levar anos e custar mais de US$ 25 bilhões, de acordo com a empresa de pesquisa Rystad Energy.
Os preços da energia dispararam em meados de março, após os ataques ao polo industrial de Ras Laffan, no Catar, que produz cerca de um quinto do gás natural liquefeito do mundo.
Os proprietários do polo disseram que os ataques reduziram a capacidade de exportação do país em 17% e que levará até cinco anos para reparar os danos.
A Ásia foi particularmente afetada pelas consequências econômicas da guerra com o Irã, já que muitos países dependem fortemente da energia do Golfo.
Governos e empresas em toda a região anunciaram medidas nas últimas semanas para lidar com os altos preços da energia e a escassez de combustível.
Em 24 de março, as Filipinas, que importam 98% de seu petróleo do Oriente Médio, tornaram-se o primeiro país a declarar estado de emergência energética nacional depois que os preços da gasolina mais que dobraram.
Muitas companhias aéreas da região aumentaram as tarifas e reduziram os voos em resposta à alta dos preços do combustível de aviação.
Os países em desenvolvimento da Ásia foram especialmente afetados pelo conflito, pois muitos não têm refinarias próprias ou reservas de petróleo suficientes, diz Ichiro Kutani, do Instituto de Economia de Energia do Japão.
“O cessar-fogo é uma boa notícia para os países asiáticos. Se for mantido, os preços do petróleo retornarão aos níveis normais, embora isso leve tempo.”
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