
Operação contra jogos de azar cumpre mandados em cidades do Noroeste
Pelo menos 55 pessoas foram presas suspeitas de envolvimento com jogos de azar e lavagem de dinheiro em uma megaoperação chefiada pela Polícia Civil (PC-PR), realizada entre terça-feira (7) e quarta-feira (8). A ação ocorre em 27 cidades de cinco estados.
Entre os investigados estão o presidente da Câmara de Cianorte, Víctor Hugo Davanço (Podemos), e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, Marcelo Gaúcho (PSD). Ambos foram presos preventivamente, mas a polícia não detalhou a função de cada um na organização criminosa.
Segundo a investigação, os suspeitos movimentaram bilhões de reais durante cerca de três anos, por meio de mais de 500 mil operações financeiras.
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A defesa do vereador de Cianorte, Víctor Hugo Davanço, informou que não teve acesso aos autos e que os fatos serão esclarecidos, demonstrando a inocência dele. A Câmara de Cianorte disse que não recebeu notificação oficial sobre a prisão do presidente e afirmou que está à disposição para colaborar com a investigação.
A defesa do vereador de Goioerê, Marcelo Gaúcho, também declarou não teve acesso aos autos e que pretende comprovar a inocência do cliente. A Câmara de Goioerê informou que não recebeu notificação oficial.
O g1 procurou os partidos Podemos e PSD, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
À direita, Victor Hugo Davanço, presidente da câmara de Cianorte, à esquerda, Marcelo Gaúcho, vice-presidente da câmara de Goierê.
Reprodução/Redes Sociais/Câmara de Goioerê
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Megaoperação
A megaoperação mobilizou mais de 330 policiais e contou com apoio de três aeronaves durante os dois dias.
Ao todo, foram expedidas 371 ordens judiciais, sendo 85 mandados de prisão preventiva, 102 de busca e apreensão e 184 de bloqueio de contas bancárias, visando o sequestro de R$ 1,5 bilhão. A ação ocorreu nas seguintes cidades:
Paraná: Campo Mourão; Sarandi; Maringá; Cianorte; Londrina; Terra Boa; Curitiba; Goioerê; Cascavel; Cidade Gaúcha; Engenheiro Beltrão; Sabáudia; Marechal Cândido Rondon; Paraíso do Norte; Loanda; Medianeira; Faxinal; Apucarana e Alvorada do Sul.
São Paulo: Praia Grande e São Paulo.
Goiás: Anápolis; Valparaíso de Goiás; Anápolis; Goiânia.
Santa Catarina: Caçador.
Pará: Castanhal.
Entre os presos estão lideranças do grupo, vereadores e integrantes dos núcleos financeiro e operacional, segundo a polícia.
Foram apreendidos 132 veículos, avaliados em mais de R$ 11 milhões, 111 imóveis, estimados em R$ 32,9 milhões, e mais de cem cabeças de gado, somando R$ 43,9 milhões. A polícia também retirou do ar 21 sites de apostas ilegais.
Em Cianorte, no Noroeste paranaense, os agentes encontraram carros de luxo, máquinas caça-níqueis e dinheiro em espécie. O município era apontado como base do grupo responsável por movimentar recursos ilegais para diversas regiões do país, segundo o delegado Marcos Felipe.
“Conseguimos identificar um dos locais usados para lavagem de dinheiro, uma lotérica que funcionava como mini cassino, ao lado de outra lotérica ligada a um dos investigados, considerado um dos líderes da organização”, afirmou.
Operação jogos de azar Paraná
PCPR
Investigação e identificação da organização criminosa
Segundo a polícia, as investigações começaram há mais de três anos em Grandes Rios, no norte do Paraná. Foram analisados mais de 2,6 terabytes de dados e 520 mil operações financeiras, com 57 afastamentos de sigilo bancário e 62 de sigilo fiscal.
A apuração revelou a estrutura de um conglomerado criminoso formado pela fusão de dois dos maiores grupos de jogos ilegais do país, um paranaense e outro goiano. O grupo utilizava fintechs e contas de “laranjas” para ocultar a origem dos recursos e movimentava milhões de reais em milhares de transações consecutivas.
Os suspeitos exploravam múltiplas modalidades de jogos de azar, organizados em liderança, núcleo financeiro, suporte tecnológico e operacional.
“Também evidenciou-se a criação de empresas de fachada e fictícias voltadas para ocultar os rendimentos ilegais e assim dar uma aparência de licitude aos valores obtidos de forma criminosa, integrando na economia formal valores obtidos”, afirma o delegado.
Além da lavagem de dinheiro, a investigação identificou uma empresa de tecnologia voltada ao desenvolvimento de sistemas e plataformas online de jogos de azar. Técnicos trabalhavam diariamente na manutenção de sites e softwares que controlavam o jogo do bicho e outras modalidades em pelo menos 14 estados.
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