
O presidente Lula relatou, em entrevista ao ICL Notícias nesta quarta-feira (8), uma conversa privada com o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Segundo o relato, o magistrado foi aconselhado a não jogar a biografia fora.
Lula se referia ao acordo entre o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes, e o banco de Daniel Vorcaro. O contrato, assinado em fevereiro de 2024, previa honorários mensais de R$ 3,6 milhões por três anos de atuação junto às autoridades monetárias e federais. Além disso, o casal já viajou em aviões ligados ao banqueiro.
Para o presidente, Moraes deveria dizer textualmente que a mulher trabalhou para Vorcaro, investigado por comandar um esquema de fraude bancária hoje prestes a ser julgada no STF.
Lula disse a Moraes que ele “construiu uma biografia histórica desse país com o julgamento do 8 de Janeiro”.
O conselho foi: “Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a tua biografia”.
Ao descrever o encontro, Lula deixou claro os riscos que esse episódio representa – um risco à própria imagem do Supremo.
Para ele, Moraes deveria passar “firmeza” para a sociedade e dizer que “aqui na Suprema Corte, no caso da minha mulher, eu me sentirei impedido de votar ou qualquer coisa”.
O problema é que, dos atuais 10 ministros da Corte, 3 deveriam fazer o mesmo – e só um o fez, ainda assim sob pressão. Um filho de Kassio Nunes recebeu dinheiro para trabalhar em uma consultoria contratada pelo Master. E, assim como o pai, pegou carona nos jatinhos do empresário.
Dias Toffoli também voou de carona com Vorcaro. E era dono de um resort em sociedade com uma das empresas do grupo investigado. Como se fosse pouco, Toffoli era relator do caso como se nada disso depusesse contra ele. Renunciou ao posto depois de uma reunião delicada com os colegas mediada por Edson Fachin.
O Supremo precisa agora decidir o que fazer com outros ministros que já deveriam há tempos se declarar impedidos de atuar no caso. Não é só a biografia de cada um que está em jogo. É a credibilidade do próprio Supremo.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG
