
Estacionamento irregular debaixo do Viaduto do Chá, Centro de SP
Reprodução
A concessionária responsável pela gestão do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, montou um estacionamento privado irregular em uma área pública sob o Viaduto do Chá. A estrutura foi flagrada nesta quarta-feira (8).
O caso veio à tona após o vereador Nabil Bonduki (PT) denunciar a instalação de grades cercando o espaço. No local, havia uma placa da empresa Brasil Park com cobrança de R$ 20 por hora, mais R$ 10 por hora adicional, ou R$ 50 por 12 horas de permanência.
O parlamentar denunciou a ação nas redes sociais às 13h53;
O g1 questionou a Prefeitura de São Paulo às 14h13;
Às 16h39, o g1 esteve no Vale do Anhangabaú e constatou que o estacionamento já havia sido desmontado (foto abaixo).
Em nota enviada às 19h19, a prefeitura informou que a empresa Viva o Vale, responsável pela concessão, foi notificada por infração contratual ao instalar o estacionamento sem autorização. “A gestão municipal também apreendeu equipamentos como gradis, guarda-sóis e outros acessórios utilizados na operação”, disse a gestão municipal.
“A atividade foi encerrada no mesmo instante da ação de fiscalização por não ter as devidas licenças e autorizações administrativas exigíveis, além das demais vedações contratuais”, completou.
O g1 entrou em contato com a concessionária Viva o Vale e com a empresa de estacionamento Brasil Park, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Projeto previa 333 vagas no Vale
Documentos obtidos pelo g1 mostram que a instalação de um estacionamento no Vale do Anhangabaú já vinha sendo discutida desde agosto de 2025, quando a concessionária Viva o Vale protocolou um projeto formal na prefeitura para análise.
Espaço sob o Viaduto do Chá, no Vale do Anhangabaú
Gustavo Honório/g1
No ofício enviado ao poder público, a empresa propôs a implantação de um estacionamento chamado “Locus Park”, com 333 vagas distribuídas em uma área de aproximadamente 35 mil metros quadrados dentro da área concedida .
A proposta incluía ainda a criação de ao menos cinco acessos ao estacionamento:
Acesso via Cancela 1: Avenida São João, nº 100 (pela Rua Líbero Badaró);
Acesso via Cancela 2: Avenida São João, nº 230 (pela Praça do Paissandu);
Acesso via Cancela 3: Rua Formosa, sob do Viaduto do Chá (próximo ao CRECI);
Acesso via Cancela 4: Rua Parque Anhangabaú, sob do Viaduto do Chá (próximo à entrada da Galeria Prestes Maia);
Acesso via Cancela 5: Rua da Explanada, ao lado da Praça Ramos de Azevedo;
O acesso número 4 foi justamente o flagrado pelo vereador nesta quarta (8).
Na prática, o plano também previa o uso de gradis e barreiras físicas para controlar a circulação de veículos dentro do espaço, restringindo acessos e direcionando o fluxo apenas por entradas específicas, estrutura semelhante à que foi denunciada.
Justificativa da concessionária
No documento encaminhado à prefeitura, a concessionária argumenta que o estacionamento traria benefícios como maior segurança, organização do espaço e melhoria no fluxo de trânsito na região central.
Segundo o relatório técnico, a proposta buscava “otimizar o uso do espaço disponível” e oferecer controle de acesso, monitoramento e apoio a eventos realizados no Vale.
A empresa também defendia que a iniciativa poderia reduzir a pressão sobre vagas nas ruas do entorno e contribuir para a economia local ao facilitar o acesso de visitantes ao Centro .
Apesar disso, o projeto ainda estava em fase de análise e não havia autorização formal da prefeitura para implementação.
Concessionária tem descumprido contrato de concessão do Vale do Anhangabaú desde o ano passado, dizem documentos
