STF se recolhe – 2ª parte

Moraes-ToffoliArquivo pessoal

O mesmo movimento de recuo e silêncio é observado na conduta do Ministro Dias Toffoli. Toffoli está envolvido com o Master e também com o seu entorno. Agora, com muitas respostas para dar e poucas chances de comprovar que “nada tem a ver com isso”, o ministro está fechado em copas, esperando a tormenta passar. 

Seu envolvimento com irregularidades, porém, não é de agora. No contexto da Operação Lava Jato, seu codinome era “amigo do amigo do meu pai”. Esse termo surgiu em e-mails de Marcelo Odebrecht, ex-presidente de sua empreiteira, em 2007, quando Toffoli ainda era Advogado-Geral da União (AGU). O “amigo do meu pai” seria uma referência ao ex-presidente Lula, enquanto “o amigo do amigo do meu pai” seria Dias Toffoli. 

Em 2019, o ministro Alexandre de Moraes ordenou que a revista Crusoé tirasse do ar uma matéria sobre Dias Toffoli, à época presidente do STF. O site Intercept, contudo, decidiu publicar a matéria na íntegra e ainda criticou a censura da decisão de Moraes. (https://www.intercept.com.br/2019/04/15/toffoli-crusoe-reportagem-stf-censura/)

Agora, o malfeito se aprofundou. Investigações da Polícia Federal revelaram que o ministro tinha um espaço exclusivo dentro do Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro (PR), onde recebia empresários. Por que cargas d’água um ministro o STF receberia de modo privado, num resort, empresários, como André Esteves (BTG Pactual)? Só isso já seria o suficiente para levantar suspeitas sobre a sua conduta.

Mas, não foi só isso. Há uma suspeita consistente do cometimento de crimes financeiros relacionados a um fundo ligado ao resort, do qual uma empresa de familiares de Toffoli foi sócia. Documentos da Polícia Federal também indicaram que Toffoli utilizou aviões da Prime Aviation, empresa ligada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para ir ao Tayayá em 2025.

Toffoli ficou tão exposto e sem justificativas plausíveis a ofertar que protagonizou algo inédito na história do STF: foi retirado da relatoria de um inquérito envolvendo Vorcaro e o Master, sem, contudo, alegar a sua própria suspeição. Uma evidente manobra, a envolver até Edson Facchin, presidente atual do STF, um grande acerto para evitar a “sangria” pública da Corte.

Não acabou. Ainda não. O mesmo Dias Toffoli viajou a Lima, no Peru, em jato particular pertencente ao empresário Luís Osvaldo Pastore para assistir à final da Libertadores, em novembro de 2025. No voo, Toffoli estava acompanhado do advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, ex-diretor de compliance do Banco Master.

Como se vê, são muitas pontas soltas e condutas inadmissíveis para um ministro de Suprema Corte de qualquer país. E parece claro, óbvio e evidente que a instituição, o STF, não tem como “ficar a salvo” desse desgaste todo.

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