
Após completar a órbita ao redor da Lua, a tripulação da missão Artemis II iniciou a viagem de retorno à Terra após atingir a maior distância já percorrida por humanos no espaço. Agora, o principal desafio é garantir uma reentrada segura até o pouso.
Essa fase é considerada a mais crítica da missão, já que, ao atravessar a atmosfera terrestre, a nave será submetida a temperaturas extremas, comparáveis à metade da superfície do Sol.
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O pouso da nave Orion está previsto para esta sexta-feira (10), por volta das 21h07 (horário de Brasília), no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, na Califórnia, concluindo uma jornada de 10 dias de missão.
A segurança da tripulação durante a reentrada dependerá do escudo térmico da Orion, uma estrutura de cerca de 5 metros de diâmetro localizada na base da espaçonave.
Ele foi projetado para suportar temperaturas de até 2.760 graus Celsius e funciona por meio de desgaste controlado enquanto a nave desacelera a cerca de 40 mil km/h.
Apesar disso, o histórico do escudo térmico chama atenção. Na missão não tripulada Artemis I, em 2022, o material ablativo chamado de Avcoat apresentou mais de 100 rachaduras e sinais de desgaste.
Segundo a NASA, o problema ocorreu porque os gases gerados no material não foram liberados adequadamente, causando acúmulo de pressão e o desprendimento de partes carbonizadas.
Falhas como essa poderiam resultar em tragédias na exploração espacial, como o desastre da missão Columbia, em 2003, quando uma falha no escudo térmico durante a reentrada na Terra, provocou a morte de sete astronautas.
No entanto, a Lockheed Martin, responsável pela nave Orion, realizou ajustes na aplicação do revestimento Avcoat no escudo térmico, antes da realização da missão Artemis II. A NASA, por sua vez, autorizou o voo, destacando em relatórios que, apesar das falhas observadas na Artemis I, a temperatura interna da cabine se manteve em níveis seguros.
O Avcoat, utilizado nos escudos térmicos desde o programa Apollo, era aplicado manualmente em uma estrutura semelhante a um favo de mel. Porém, no programa Artemis, o material passou a ser montado em cerca de 200 blocos, adotando um método diferente de construção.
Ainda assim, a reentrada prevista para esta sexta-feira (10) deve marcar o primeiro teste completo do escudo em uma missão tripulada.
Desde os primeiros voos espaciais com humanos, na década de 1960, diversas espaçonaves retornaram com sucesso à Terra, sendo a missão Columbia o único caso de perda diretamente associada as altas temperaturas da reentrada na atmosfera terrestre.
