
Conta de luz no modelo pré-pago, parecido com o da telefonia, começa a ser testada
Já imaginou utilizar a energia elétrica e pagar a conta em formato de plano pré-pago, parecido com os serviços de telefonia ou streaming? A iniciativa está em fase de teste no interior de São Paulo e nos estados de Tocantins e Paraíba, a partir de uma distribuidora de energia brasileira.
Para entender melhor como funciona a modalidade, quais os benefícios e como o sistema deve ser implementado, o g1 conversou com uma economista de Presidente Prudente e com representantes da concessionária de energia elétrica.
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Segundo a assessora de Assuntos Regulatórios de Energia da Energisa, Amanda Prada, o projeto ainda está na fase de inscrições para selecionar os consumidores que participarão do experimento, que deverá durar até 12 meses e será realizado em quase 40 cidades brasileiras. No oeste paulista, Presidente Prudente será a única cidade a participar do experimento.
Já no estado de São Paulo, a cidade de Assis, na região de Bauru, e Bragança Paulista, no interior, também vão aderir à modalidade. Confira a lista de cidades no final desta reportagem.
A modalidade já existia na regulamentação, mas ainda não havia sido aplicada em larga escala por distribuidoras no país, segundo Amanda.
“Estamos sendo pioneiros no piloto de pré-pagamento de energia. Tirando as distribuidoras da Energisa participantes do piloto, nenhuma outra no Brasil possui o pré-pagamento”, informou.
Clientes interessados em participar do projeto piloto podem se inscrever até 31 de maio pelo aplicativo Energisa ON ou pelo site da empresa.
Conta de energia no plano pré-pago? Entenda como funciona serviço em fase de teste
Reprodução
Autorização da Aneel
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou ao g1 que autorizou e acompanha o projeto, assim como outras iniciativas semelhantes em andamento por distribuidoras do país.
Segundo a agência, o modelo de conta de luz pré-paga está em fase experimental, com condições controladas e público restrito. A adoção em larga escala dependerá dos resultados obtidos ao longo dos 12 meses de testes.
Além disso, a Aneel reforçou que a modalidade de faturamento é uma inovação no setor elétrico brasileiro, que está em fase de teste.
Como o serviço vai funcionar?
Conforme a companhia de energia, no modelo pré-pago da conta de luz, o cliente poderá comprar créditos, que serão convertidos em kWh. A recarga mínima é de R$ 30, em valores múltiplos de R$ 10 (R$ 40, R$ 50, R$ 60 e assim por diante), e a máxima é de R$ 500. O cliente poderá recarregar quantas vezes quiser ao longo do mês.
“Considerando o valor da tarifa vigente e todos os tributos e taxas que incidem no valor da conta de energia, os R$ 30 da recarga mínima correspondem a 30 kWh e os R$ 500 em torno de 500 kWh”, explica a empresa.
Os valores de créditos e o consumo de energia poderão ser acompanhados pelo próprio medidor especial instalado na residência ou pelos canais digitais.
Antes que os créditos acabem e o serviço de energia seja interrompido, o cliente será avisado até três vezes e ainda terá a possibilidade de ativar um crédito emergencial para não ficar sem energia.
Quais são os possíveis benefícios?
A partir da modalidade, a conta de luz deixa de ser uma despesa mensal e pode se tornar semanal, facilitando a vida de pessoas com renda variável, como autônomos, segundo a especialista em economia Josélia Galiciano, ouvida pelo g1.
“O modelo é vantajoso, porque permite pagar aos poucos (semanalmente). Isso ajuda no controle do orçamento familiar e evita o acúmulo de contas em períodos de menor renda”, destacou.
Conforme a distribuidora de energia, ao flexibilizar o pagamento da conta de luz, o consumidor pode substituir um gasto mensal único por compras de créditos conforme a necessidade de consumo.
O novo modelo também pode se tornar uma alternativa para clientes que têm dificuldade de manter o pagamento em dia. Por isso, clientes com o serviço interrompido poderão aderir a esse modelo, posteriormente.
A principal vantagem do modelo pré-pago na conta de luz é o maior controle sobre os gastos, segundo Josélia Galiciano, professora da Business School da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).
“O consumidor paga antes de usar e consegue acompanhar melhor o consumo, evitando surpresas no fim do mês. Além disso, reduz o risco de inadimplência e incentiva o uso mais consciente da energia.”
Ao comprar créditos, o consumidor com fatura em aberto poderá utilizar até 10% do valor adquirido para quitar débitos anteriores, o que funcionará como uma forma de amortizar a dívida e manter o serviço, conforme a Energisa.
“A vantagem é o controle financeiro, já que o consumo é previsível, evitando o endividamento. A principal desvantagem é o risco de ficar sem energia, caso o crédito acabe e o consumidor não tenha recurso financeiro para fazer a recarga”, continuou a especialista.
Especialista em economia Josélia Galiciano, professora da Business School Unoeste
Josélia Galiciano/Arquivo pessoal
Quem pode participar do teste?
Amanda destacou que o plano pré-pago é ideal para clientes que querem ter maior previsibilidade e controle da conta de energia, a partir do terminal de leitura dentro de casa.
“Onde ele consegue acompanhar a evolução do seu consumo e do seu saldo de créditos de energia, podendo fazer recargas quando ele achar o melhor momento para fazer isso”, afirmou.
A tendência do plano pré-pago na conta de luz é considerada positiva por Josélia. “Se bem estruturado, tem boas chances de crescer, principalmente pela praticidade e controle que oferece.”
No entanto, a especialista descreve a importância de garantir que consumidores mais vulneráveis não sejam prejudicados: “Já que o corte pode ser imediato ao fim dos créditos. Por isso, políticas de proteção serão fundamentais”.
Terá algum custo?
Conforme a Energisa, não há nenhum custo para integrar o teste. No entanto, podem participar apenas:
Consumidores residenciais que não estejam incluídos na Tarifa Social;
Clientes que não possuam cobranças adicionais na fatura (como seguros e doações);
Consumidores que não sejam atendidos por geração distribuída, como energia solar compartilhada.
“Mesmo que ainda não seja usado no Brasil, o plano pré-pago já é bastante utilizado em países como Alemanha, Reino Unido, Colômbia e Argentina”, afirmou Amanda.
Funcionário da distribuidora de energia em atuação
Energisa/Divulgação
O valor pré-pago pode expirar após determinado tempo?
Não. O crédito adquirido não tem validade, segundo Amanda. No entanto, o projeto-piloto terá duração limitada de até 12 meses. “É importante que o cliente se programe para que não haja sobra de créditos ao final do período do piloto.”
“Caso haja alguma sobra de saldo ao final do experimento, o crédito aparecerá como desconto na fatura após o encerramento”, continuou a representante.
O cliente participante da fase teste pode cancelar?
Sim, os participantes da modalidade de teste podem optar por regressar à cobrança convencional a qualquer momento, segundo a distribuidora de energia.
Além disso, por se tratar de um projeto-piloto, o cliente poderá participar durante todo o período de até 12 meses com o plano pré-pago. Ao final do projeto, serão analisadas as respostas da modalidade a fim de identificar quais clientes se adaptaram e se o modelo foi bem recebido, segundo Amanda.
“Para iniciar uma discussão junto à Agência Reguladora de Energia Elétrica (Aneel) para avaliar se esse modelo de fato vai ser aplicado de forma massiva no Brasil”, completou a assessora de Assuntos Regulatórios de Energia.
Lista de cidades que participam do piloto do plano pré-pago:
Estado de São Paulo:
Assis;
Bragança Paulista;
Presidente Prudente.
Estado do Tocantins:
Araguacema;
Dois Irmãos do Tocantins;
Divinópolis do Tocantins;
Marianópolis;
Caseara;
Tocantinia;
Miracema do Tocantins;
Lajeado;
Barrolândia;
Palmas;
Cristalândia;
Paraíso do Tocantins;
Pium;
Nova Rosalandia;
Pugmil;
Lagoa da Confusão;
Monte Santo;
Ponte Alta do Tocantins;
Monte do Carmo;
Porto Nacional;
Silvanópolis;
Fátima;
Brejinho de Nazaré;
Vila Luzimangues;
Taquaralto;
Rio Sono;
Aparecida do Rio Negro;
Novo Acordo;
Taquarussu do Porto.
Estado da Paraíba:
Campina Grande;
Conde;
João Pessoa;
Lagoa Seca;
Patos;
Santa Luzia;
Santa Rita.
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