
Jogadores que foram denunciados pelo MP-AC por estupro em alojamento são soltos em Rio Branco
Arquivo/Jhon Lennon e Sueli Rodrigues
Após dois meses presos no Complexo Penitenciário da capital, o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) concedeu liberdade aos quatro atletas do Vasco-AC denunciados pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) por estupro coletivo e de vulnerável no alojamento do time, em Rio Branco. A soltura deles ocorreu na última terça-feira (7).
A informação foi confirmada ao g1 pelo TJ-AC, que informou que revogou a prisão preventiva dos quatro jogadores. Agora, eles passam a responder ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares. (Confira mais abaixo)
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O g1 entrou em contato com o advogado Atevaldo Santana, que representa todos os jogadores, e aguarda retorno.
👉 Contexto: Cinco atletas da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC) são investigados pelo estupro de duas mulheres em Rio Branco. O caso resultou na prisão de Erick Luiz Serpa Santos Oliveira no dia do crime, além de Brian Peixoto Henrique Ilziario e Alex Pires Bastos Júnior, que havia sido solto em 10 de março. Recentemente, Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes, que não foram divulgados anteriormente, também são investigados. Todos negam o crime.
Quatro jogadores do Vasco-AC suspeitos pelo crime de estupro se tornaram réus após a Justiça acreana aceitar a denúncia
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Ainda conforme o TJ-AC, os jogadores estão advertidos de que, em caso de descumprimento das medidas, poderá ser decretada a prisão preventiva.
Os suspeitos também devem ter uma audiência de instrução marcada para a próxima quinta-feira (16).
Dentre as medidas cautelares:
Eles deverão fornecer o atual endereço em que poderão ser encontrados;
Foi solicitado o atual número telefônico;
E, por último, é necessário o comparecimento a todos os atos processuais.
No dia 13 de março, o MP apresentou denúncia contra os cinco jogadores. Neste documento, apareceram dois novos nomes que não tinham sido divulgados anteriormente: Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes.
No dia 20 do mesmo mês, quando os clientes ainda estavam presos, a defesa deles disse que Lucas e Bernardo prestaram depoimento como testemunhas, inicialmente, e nunca foram presos. Ambos já haviam retornado para o Rio de Janeiro antes da decisão que ordenou a prisão deles.
Sobre o caso
O caso foi registrado na Deam em 14 de fevereiro, menos de um dia após o crime. À época, o delegado Alcino Júnior, que estava de plantão, informou que encontrou as vítimas na Maternidade Bárbara Heliodora. Segundo ele, as mulheres haviam procurado a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência e foram encaminhadas para atendimento médico.
As vítimas relataram medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia. Ainda conforme a polícia, as mulheres foram ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas teriam sido submetidas aos abusos posteriormente. “Você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação”, resumiu o delegado.
Com exceção de Erick, preso ainda no dia 14 de fevereiro, os outros três jogadores tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 15.
No dia 17, os três jogadores se entregaram à polícia. O primeiro a se entregar foi Alex (Lekinho), que foi até a Delegacia de Flagrantes (Defla), acompanhado do então treinador Eric Rodrigues e do advogado Robson Aguiar. Matheus Silva e Brian Peixoto Henrique Iliziario foram até a Deam com o advogado Atevaldo Santana.
No dia 19, o Vasco-AC fez sua estreia na Copa do Brasil na Arena da Floresta, em Rio Branco, e acabou eliminado pelo Velo Clube nos pênaltis. Antes da bola rolar, no entanto, o time acreano chamou atenção ao entrar em campo com camisas que estampavam os nomes de três dos quatro atletas presos.
Contudo, a ação foi repudiada em conjunto pelos ministérios das Mulheres e do Esporte, que classificaram como ‘inaceitável’ a homenagem.
O gesto dos atletas também é investigado pelo MP-AC. Além da ação, o órgão também vai fazer investigação própria sobre a denúncia de violência sexual e vai analisar se houve possível omissão da justiça desportiva do estado.
Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações.
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