O Ibovespa encerrou a semana com forte valorização, acumulando alta próxima de 5% e renovando sucessivos recordes históricos, em um movimento que consolidou o índice acima dos 195 mil pontos e o aproximou da marca dos 197 mil pontos.
O desempenho ocorreu mesmo em meio a um ambiente global ainda marcado por incertezas, especialmente relacionadas às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, “os mercados reagem hoje, fundamentalmente, às perspectivas de que possa se alcançar paz mais duradoura no Oriente Médio, de olho nas negociações entre Estados Unidos e Irã”.
Fluxo estrangeiro sustenta descolamento do Brasil
Apesar da cautela global, o mercado brasileiro apresentou desempenho superior ao exterior. “Os mercados americanos [estão] sem viés definido, enquanto por aqui, a bolsa brasileira se descola do exterior, sustentado por um movimento de rotação global e forte fluxo estrangeiro”, afirma Perri.
A valorização do real, com o dólar recuando para a região de R$ 5,00, também reforçou esse movimento, ampliando a atratividade dos ativos locais.
Petróleo, inflação e impacto no cenário doméstico
No campo macroeconômico, o destaque foi a inflação acima do esperado. “Os dados do IPCA vieram bastante acima das expectativas, em +0,88% em março”, aponta o economista.
Segundo ele, apesar do dado pressionar o cenário de curto prazo, a composição traz nuances importantes. “Embora uma leitura cheia ruim, parte significativa da surpresa altista veio de itens como combustíveis, refletindo impacto direto do choque dos preços do petróleo.”
Com isso, uma eventual acomodação do cenário externo pode trazer alívio. “Se de fato houver a normalização destes preços, com um acordo de paz para o conflito, é razoável esperar a reversão destes preços”, diz. Ele também destaca que “medidas do governo no sentido de aliviar os preços do diesel e querosene devem ser sentidas no indicador mais à frente”.
Destaques corporativos e setores em evidência
Entre os setores, o movimento foi relativamente disseminado, com alguns destaques específicos. “Dentre os destaques positivos, paradoxalmente ao recuo dos preços do petróleo, estão as petroleiras, após decisão judicial que derrubou a cobrança de imposto sobre a exportação de petróleo bruto”, afirma.
Além disso, setores mais defensivos e ligados à economia doméstica ganharam força. “Destaque ainda para as utilities, como energia elétrica e saneamento, e os bancos, que sobem muito por conta também do fluxo estrangeiro vindo ao Brasil”, completa.
No campo corporativo, também houve movimentos relevantes: “Hapvida também é destaque, com a troca no management e a perspectiva de venda de ativos e desalavancagem”.
Na ponta negativa, alguns papéis sofreram pressão. “CSN cai com recomendação de venda pelo Morgan Stanley, enquanto Cury e Direcional sofrem com prévias de resultados mal recebidas pelo mercado.”
Câmbio reflete cenário externo e juros locais
O comportamento do dólar também acompanhou a melhora relativa do ambiente externo. “O dólar reage às expectativas mais favoráveis em relação ao cenário externo, sobretudo no que diz respeito ao Oriente Médio e, em menor grau, ao fluxo positivo em relação ao Brasil”, explica Perri.
Ao mesmo tempo, a dinâmica da curva de juros segue influenciada pelos dados de inflação. “A abertura da curva de juros responde ao IPCA acima das expectativas”, conclui.
Perspectiva ainda exige cautela
Apesar do forte desempenho semanal, o cenário segue exigindo atenção. A continuidade do rali dependerá, sobretudo, da evolução das tensões geopolíticas, do comportamento da inflação global e das próximas sinalizações de política monetária nos Estados Unidos.
Assim, o Ibovespa avança apoiado em fluxo e fundamentos de curto prazo, mas ainda inserido em um ambiente que combina oportunidades e riscos para os investidores.
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