
Slash e Lucas Ferraz
Redes sociais
Já imaginou virar amigo do seu ídolo de infância? E melhor: abrir a turnê dele ao redor do mundo? Parece até história de filme, mas foi isso que aconteceu com o músico baiano Lucas Ferraz. Em 2010, ele criou uma conta no X para interagir com Slash, guitarrista mundialmente famoso e integrante da banda de rock Guns N’ Roses, e acabou virando amigo dele.
“Vi em algum lugar que ele tinha criado a conta e aí criei uma para mim também. Enquanto todo mundo perguntava sobre a briga com Axl [vocalista do Guns N’ Roses], eu perguntei sobre equipamentos. Acho que ele gostou”, relembrou Lucas.
Mas antes de explicar como a web amizade escalonou para shows na Europa e no Brasil, é preciso frisar o nível de admiração de Lucas por Slash. O baiano de Salvador quis aprender a tocar guitarra depois de ver, pela televisão, o show de Guns N’ Roses no segundo Rock In Rio, em 1991.
A admiração pelo grupo americano fez com que na juventude ele também montasse uma banda com os amigos, a Carpe Beer. A banda tocou na cena de rock de Salvador na década de 1990.
VÍDEO: Venda de ingressos físicos do show de Guns N’ Roses causa tumulto em shopping de Salvador
Veja os vídeos que estão em alta no g1
📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia
Mas, voltando à relação fã-ídolo, ser notado por Slash na internet já era bem mais do que Lucas esperava. Com o tempo, a relação se consolidou como uma amizade. O norte-americano passou a segui-lo nas redes sociais e as conversas migraram para o chat privado. Na época, Slash gravava seu primeiro disco solo e dividia com Lucas os bastidores da produção.
“Nós conversávamos praticamente todos os dias depois da gravação. Ele me mandava tipo um resumo de como havia sido o dia”, contou.
Conversa de Lucas e Slash nas redes sociais, em abril de 2010
Redes sociais
Com o disco finalizado, Slash saiu em turnê pela Europa e marcou um show em Luxemburgo, pequeno país da Europa Ocidental onde Lucas vive com a família desde 2007. “Vamos tocar em Luxemburgo, Lucas. Vamos nos conhecer”, escreveu para o baiano.
Mas Lucas teve uma ideia melhor: por que não abrir o show do ídolo? Ele só precisava de duas coisas: uma banda e uma oportunidade.
Montando uma banda em meses
Porn Queen e Slash
Redes sociais
O baiano não quis pedir a oportunidade direto para Slash, então entrou em contato com a casa de shows e enviou uma música que havia gravado anos antes, em Salvador.
“Eu enviei um e-mail dizendo que tinha uma banda e pedi para abrir o show. No fim do dia, Slash me mandou uma mensagem perguntando se era eu tocando”, disse.
Mas, na verdade, ele não tinha uma banda. Com o “sim” do ídolo, ele precisava correr para montar um grupo em alguns meses. O soteropolitano convidou outro amigo baiano, Fred Barreto, que morava em Luxemburgo e a dupla se juntou com mais dois luxemburgueses, Yves DeVille e Dan Fastro. Estava formada a Porn Queen.
Apesar de já ter participado de bandas, feito shows e gravado canções, antes da Porn Queen a música era apenas um hobbie para Lucas, que em Salvador trabalhava como analista de crédito. A abertura do show de Slash em Luxemburgo mudou tudo.
“Simplesmente estreamos com Slash em um show para 6 mil pessoas. Ele me tratou como um amigo, disse que estava feliz em me conhecer, conversou com a gente antes do show, tratou todos muito bem”, relembrou.
Show de Lucas Ferraz
Redes sociais
A Porn Queen abriu shows de Slash na Le Zénith, uma das casas de show mais icônicas de Paris, e também em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, quando o artista trouxe a turnê do disco solo para o Brasil. Depois, a banda fez uma turnê em 16 países da Europa e tocou com Hollywood Vampires, banda formada por Alice Cooper, Joe Perry, Johnny Depp e outros músicos renomados.
“Cada experiência dessa foi um sonho realizado. Tocar com seus ídolos, ver que eles são humanos, interagir e aprender com eles, é algo incrível”, afirmou.
O grupo finalizou a parceria em 2020 e Lucas seguiu carreira solo. Em julho desse ano, ele vai abrir o show de Lenny Kravitz em Luxemburgo e, assim, realizar mais um sonho da adolescência.
Em novembro, lançará um disco de estúdio com participação do guitarrista baiano Martim Mendonça, que toca com Pitty.
Guns N’ Roses em Salvador
Lucas Ferraz e Slash
Redes sociais
“Minha geração cresceu achando que Ramones tocaria na Concha Acústica um dia”, brincou Lucas sobre a lenda que se espalhou pela cena do rock de Salvador nos anos 1990 e no início dos anos 2000.
Quando Guns N’ Roses anunciou que se apresentaria em Salvador em abril deste ano, ele foi bombardeado de mensagens de amigos da infância e adolescência, que compraram os ingressos e logo lembraram dele.
“Fiquei muito feliz em saber que eles vão ter essa experiência única”, celebrou.
Os melhores amigos do músico ainda terão uma experiência especial: eles são convidados da banda para assistir o show bem na frente do palco, na Arena Fonte Nova. Mais de 30 mil ingressos foram vendidos.
Para Lucas, a vinda de bandas internacionais dessa magnitude para Salvador mostra que há demanda por shows fora do eixo Rio/São Paulo e poderá motivar outros artistas a incluir mais cidades brasileiras em turnês futuras.
“O pessoal não pode esperar que Axl Rose soe como quando ele gravou as músicas. É para curtir o show e ver a história acontecer no palco”, afirmou.
Veja mais notícias do estado no g1 Bahia
Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻
