Misturar cimento, areia e pedrisco: para que serve na construção civil e por que é recomendado?

Você já se perguntou o que acontece quando se mistura cimento, areia e pedrisco com muita água e se despeja o resultado dentro de uma parede? O produto dessa mistura se chama graute, e ele é o responsável por transformar uma alvenaria comum em uma estrutura armada capaz de suportar cargas muito maiores, sem quebrar nem demolir nada.

O que é o graute e como essa mistura de cimento se diferencia do concreto comum?

O graute é essencialmente um concreto de alta fluidez, composto por cimento, areia, pedrisco e água, com traços específicos que garantem consistência suficiente para penetrar em espaços estreitos sem segregar os materiais. A proporção mais comum em obra é de 1 parte de cimento : 2,5 partes de areia : 2,7 partes de pedrisco, resultando em resistência de aproximadamente 12,8 MPa aos 28 dias, com traços mais ricos chegando a 28 MPa.

A diferença fundamental entre o graute e um concreto convencional está em dois fatores. O primeiro é o tamanho máximo do agregado: o graute usa pedrisco com diâmetro máximo de até 12,5 mm, enquanto o concreto estrutural comum pode usar brita com diâmetros maiores. O segundo é a relação água/cimento, que no graute chega a 0,9, conferindo fluidez extrema para penetrar nas cavidades internas dos blocos.

O graute é essencialmente um concreto de alta fluidez, composto por cimento, areia, pedrisco e água, com traços específicos que garantem consistência suficiente para penetrar em espaços estreitos sem segregar os materiais

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O que diz a norma brasileira sobre o uso do cimento no graute?

Segundo a apostila de alvenaria estrutural da UNESP, a ABNT NBR 16868-2, norma brasileira que regula a execução e o controle de alvenaria estrutural, estabelece requisitos mínimos precisos para o graute. Entre as exigências estão:

  • Resistência mínima de 15 MPa (classe C15)
  • Consistência medida pelo slump entre 20 e 28 cm, garantindo fluidez suficiente para preencher todos os vazios
  • Adição de cal hidratada em até 10% do volume de cimento para minimizar a retração durante a cura
  • Limpeza obrigatória das cavidades antes do lançamento, etapa crítica para garantir o contato adequado com as paredes internas do bloco
Você já se perguntou o que acontece quando se mistura cimento, areia e pedrisco com muita água e se despeja o resultado dentro de uma parede?

Como o grauteamento funciona na prática dentro de uma parede?

Conforme material técnico do IFRN sobre alvenaria estrutural, os blocos de concreto ou cerâmicos usados em alvenaria estrutural possuem furos internos verticais por onde o graute é lançado. Antes do lançamento, o pedreiro posiciona as armaduras de aço dentro desses furos, barras que serão totalmente envolvidas pelo graute após a cura, criando um conjunto monolítico de bloco + graute + aço que funciona integradamente sob cargas.

É por isso que o graute é considerado o elemento que transforma a alvenaria simples em alvenaria estrutural armada: sem ele, as barras de aço ficariam soltas nos furos sem transmitir esforços à parede. Para entender visualmente a diferença entre o graute e a argamassa convencional na recuperação estrutural, o canal MC-Bauchemie Brasil, com mais de 6,42 mil inscritos, explica as características de cada material e em qual situação utilizar cada um:

Quando o grauteamento é recomendado ou obrigatório na obra?

O grauteamento é indicado em três situações principais, que vão desde a construção nova até o reforço de estruturas já existentes:

  • Alvenaria estrutural nova: preenchimento das cavidades onde há armadura, em todas as fiadas ou somente nas indicadas no projeto estrutural
  • Reforço de estruturas existentes: injeção em paredes e pilares que apresentam fissuras, deterioração ou necessidade de aumento de carga, sem necessidade de demolição
  • Solidarização de pilares e vergas: preenchimento total das cavidades em pontos de concentração de esforço, como cantos, aberturas e encontro entre paredes

O graute também é usado em piscinas e reservatórios?

Além das aplicações em alvenaria estrutural, o graute é amplamente utilizado no chumbamento de tubulações em piscinas e reservatórios, justamente por sua capacidade de preencher completamente os espaços ao redor das conexões sem deixar vazios.

Dispositivos hidráulicos são pontos críticos nessas estruturas, e o preenchimento inadequado é a principal causa de vazamentos ao longo do tempo. O canal NC Flanges, com 182 inscritos, demonstra em protótipo de acrílico como o sistema de flanges permite um grauteamento perfeito da tubulação:

Vale a pena usar graute em obras residenciais de menor porte?

Para obras residenciais, o graute é especialmente relevante em projetos que utilizam blocos de concreto ou cerâmica estrutural. A resistência final do conjunto depende da qualidade da mistura de cimento, areia e pedrisco, mas também do contato adequado com as paredes internas do bloco. Uma cavidade mal limpa antes do lançamento pode comprometer toda a solidarização da estrutura, independentemente da qualidade dos materiais usados.

O custo adicional do grauteamento em relação a uma alvenaria simples é compensado pela eliminação de reforços externos, pela dispensa de demolições em casos de reforço estrutural e pela durabilidade superior do conjunto. Em projetos onde a carga sobre as paredes é significativa, ignorar o graute não é economia: é risco estrutural que se acumula silenciosamente nos blocos.

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