GCM mata entregador desarmado com tiro nas costas em SP; guarda alega disparo acidental


GCM mata entregador desarmado com tiro nas costas em SP; guarda alega disparo acidental
Reprodução/Globo
Um guarda civil metropolitano atirou e matou um entregador durante uma abordagem, em São Paulo.
A pizza que o entregador levava era para o jantar com a mulher, que o esperava em casa.
“Ele falou que estava voltando pra casa, que já ia desligar o aplicativo porque tesava desde a manhã trabalhando. A pizza nunca chegou, a gente ia terminar de ver um filme que a gente estava vendo parceladinho. A gente nunca vai finalizar juntos É isso”, afirmou a viúva de Douglas, Natali de Souza Zwarg.
Douglas Renato Scheeffer Zwarg, de 39 anos, não tinha antecedentes criminais e não estava armado. Morreu com um tiro nas costas disparado pelo subinspetor da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, Reginaldo Alves Feitosa.
A equipe da GCM contou à polícia que recebeu um alerta de um vigia porque ciclistas estavam furtando celulares na região do Parque do Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência, os guardas viram um homem encapuzado em uma bicicleta elétrica e duas moças que pareciam fugir.
Os guardas contaram que emparelharam o carro com a bicicleta e fizeram a abordagem. Mas Douglas estaria desatento porque estava de fones de ouvido. Teria se desequilibrado, batido na viatura e caído. Nesse momento, houve o disparo.
O subinspetor Feitosa afirmou que o tiro foi acidental, enquanto descia do carro. Ele foi preso em flagrante, pagou fiança de R$ 2 mil e foi liberado.
Segundo a polícia, o subinspetor Reginaldo Alves Feitosa já respondeu a outros processos. Em 2003, foi preso em flagrante por tentativa de homicídio. Em 2009, foi investigado por constrangimento ilegal, abuso de autoridade e discriminação a pessoa idosa. Os dois casos foram arquivados.
Há oito dias, uma outra abordagem da Polícia Militar, na Zona Leste da cidade, acabou com a morte de Thawanna Salmázio. As câmeras corporais de um dos policiais mostraram que houve uma discussão com a policial que acabou com o disparo.
A investigação deve dizer se houve erro ou abuso dos agentes. São dois casos com circunstâncias diferentes, mas especialistas em segurança pública veem um fator comum.
“A gente tem que pensar que o dia a dia da polícia, uma parte importante do dia a dia da polícia é a mediação de conflito. A arma de fogo tem que ser o último recurso pro policial ter disponível pra si próprio, e não o primeiro”, diz o professor da área de segurança pública da Fundação Getúlio Vargas, Rafael Alcadipani. “Nenhum bem é maior do que a vida.”
Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana de São Paulo informou que afastou o GCM. Disse também que o agente responderá a processo administrativo e a um procedimento interno da Corregedoria da GCM. O “Jornal Nacional” não conseguiu contato com a defesa do subinspetor Reginaldo Alves Feitosa.
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