
Cidade perto de Goiânia atrai amantes de esportes radicais para voos de parapente
A cidade de Jandaia, na região oeste de Goiás, se tornou um dos destinos favoritos dos amantes de esportes radicais para voos de parapente. A cerca de 120 km de Goiânia, o município situado entre o Morro do Segredo e a Serra do Boqueirão tem o céu tomado por cores e emoção. Em 2024, uma lei estadual concedeu ao local o título de Capital Estadual do Parapente.
Em entrevista ao g1, Daniel Vasconcelos, instrutor de parapente e paramotor, contou que a cidade une esporte, turismo, sustentabilidade e desenvolvimento econômico. Segundo ele, um dos grandes diferenciais é a rampa de voo, que atende desde pilotos iniciantes até atletas altamente experientes.
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A rampa conta com 866 metros de altitude e fácil acesso, com asfalto duplicado por quase todo o percurso. “Isso faz de Jandaia um verdadeiro centro de formação e evolução dentro do esporte, permitindo que novos praticantes tenham um ambiente seguro para aprendizado, enquanto pilotos mais avançados encontram condições ideais para voos técnicos e de longa distância”, informou Daniel.
“O parapente em Jandaia vai muito além do esporte. A cidade se transforma durante campeonatos e eventos, recebendo pilotos de diversos estados brasileiros e de outros países. Esse intercâmbio fortalece o turismo esportivo, coloca o município em destaque no cenário nacional e internacional e proporciona uma rica troca cultural entre visitantes e moradores”, completou o instrutor.
Em 2025, a cidade foi palco do Campeonato Brasileiro de Parapente de Pouso de Precisão, entre os dias 17 a 21 de abril.
Prática de parapente em Jandaia
Arquivo pessoal/Daniel Vasconcelos
O que é um voo de parapente?
Segundo Daniel, o esporte surgiu na década de 1980, na Europa, quando alpinistas passaram a utilizar velas adaptadas para descer montanhas de forma mais rápida e segura. “Com o tempo, a prática evoluiu, ganhou equipamentos mais modernos e seguros, e hoje é reconhecida mundialmente como uma das principais modalidades do voo livre”, disse.
Atualmente, a prática do parapente conta com estrutura e profissionalização para garantir a segurança de todos. “Os voos são realizados por pilotos certificados por entidades nacionais e internacionais, seguindo rigorosamente todas as normas técnicas do esporte. Antes de cada voo, são feitas análises detalhadas das condições climáticas. Toda a operação conta com equipes de apoio em solo, garantindo tranquilidade tanto para pilotos quanto para visitantes”, explicou Daniel.
Jandaia atrai visitantes de todo o país devido ao parapente
Arquivo pessoal/Daniel Vasconcelos
Importância para o turismo local
Ao g1, o secretário de Cultura e Turismo de Jandaia, Murilo Moura Sardinha, destacou que o município tem se consolidado como um dos principais polos de parapente no Brasil devido a uma combinação de fatores naturais e investimentos estruturais.
“Jandaia reúne condições naturais altamente favoráveis ao voo livre, como relevo privilegiado, correntes térmicas consistentes e clima estável ao longo do ano, fatores que garantem qualidade e segurança para a prática do parapente”, afirmou.
De acordo com o secretário, a gestão municipal tem investido na estrutura das rampas, na acessibilidade e na organização dos espaços. “Essa integração entre natureza e planejamento tem consolidado o município como referência no cenário nacional”, afirmou.
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Murilo explicou que a atividade tem papel estratégico no desenvolvimento da cidade. Ele afirmou que o turismo vai além do lazer e gera impacto direto na economia local, especialmente nos setores de hotelaria, alimentação e serviços.
Segundo o representante, há um planejamento para consolidar o parapente como eixo permanente de desenvolvimento econômico e turístico. “O parapente já é tratado como um dos principais eixos estratégicos do turismo em Jandaia”, destacou. Atualmente, a secretaria trabalha no fortalecimento da estrutura existente, na qualificação contínua dos espaços de voo e na criação de um calendário permanente de eventos.
O secretário ressaltou que o município recebe pilotos ao longo de todo o ano, o que demonstra o potencial da atividade para além dos grandes eventos. “O objetivo é ampliar esse fluxo, impulsionar a economia local e posicionar Jandaia de forma definitiva como referência nacional no turismo de voo livre”, concluiu.
Voo de parapente
Arquivo pessoal/Daniel Vasconcelos
Compromisso com o meio ambiente
Outro ponto que chama atenção na prática do esporte na cidade é o compromisso com o meio ambiente. Segundo Daniel, durante os voos, os pilotos realizam ações de reflorestamento aéreo, com o lançamento de sementes de árvores nativas em áreas estratégicas, o que contribui diretamente para a recuperação ambiental e reforça o papel do esporte como aliado da sustentabilidade.
O instrutor também explicou que a conscientização ambiental não se limita ao momento do voo. De acordo com o instrutor, são promovidas palestras em escolas públicas, onde crianças e jovens têm a oportunidade de aprender sobre o voo livre, a segurança no esporte e, principalmente, a importância da preservação ambiental. Ele ressaltou que essas iniciativas ajudam a formar uma nova geração mais consciente e conectada com a natureza.
Desenho de atletas praticando parapente, em Jandaia
Arquivo pessoal/Daniel Vasconcelos
Além disso, ele afirmou que o impacto na economia local é significativo. “Hotéis, restaurantes, postos de combustível, comércios e prestadores de serviço registram aumento na demanda durante os eventos”, disse. Esse movimento gera emprego, renda e fortalece toda a cadeia produtiva da cidade.
“Jandaia se firma não apenas como um destino para a prática do parapente, mas como um exemplo de como o esporte pode impulsionar o turismo, promover a educação ambiental e gerar desenvolvimento sustentável para toda a região”, concluiu.
Formação de novo pilotos
Base de Voo livre forma novos pilotos, em Goiás
Arquivo pessoal/Daniel Vasconcelos
De acordo com o instrutor, são realizadas aulas teóricas, momento em que os alunos aprendem sobre o equipamento, tráfego aéreo, meteorologia, entre outros aspectos. “O aluno estará ao final do curso apto a voar em qualquer lugar do planeta”, afirmou Daniel.
O instrutor informou que são em média 25 aulas para que um aluno passe a voar sozinho. No entanto, isso depende do processo de aprendizado de cada um, que podem se formar em um tempo mais curto.
“Já formamos mais de 150 pilotos. Em Goiás, temos ativos em torno de 400 pilotos e no Brasil por volta de 15 mil praticantes”, destacou o instrutor.
De acordo com Daniel, no estado existem outras cidades com boas condições para voar de parapente, como Jaraguá, Formosa, Iporá, Mineiros e Pontalina. Na Chapada dos Veadeiros, o Morro da Baleia também é um destaque para os amantes do esporte.
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