
Céu apresenta o show ‘Céu 20’ na casa Vivo Rio, na noite de ontem, 11 de abril, no último dia do Queremos! Festival
Rodrigo Goffredo
♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR
♬ Admito que não embarquei de imediato no som e na voz de Céu. Em 2005, quando a cantora e compositora paulistana lançou o primeiro álbum, “Céu”, não me juntei ao coro de entusiasmados com esse disco que abriu alas na mídia e no mercado para a cena musical independente brasileira que já se formava no Brasil desde o início dos anos 2000.
Não gostei da emissão vocal da cantora e tampouco fui seduzido pelo repertório autoral formatado em estúdio com produção musical de Beto Villares. Fui prestar mais atenção na artista a partir do segundo álbum, “Vagarosa” (2009), envolto por nuvens de dub.
Gostos e percepções à parte, Céu seguiu na música com personalidade, sempre dando um passo diferente a cada álbum. E o tempo passou. Em 2025, o álbum “Céu” completou 20 anos e a cantora montou show inédito e saiu em turnê pelo Brasil para celebrar em cena as duas décadas desse disco que lhe deu um nome e um norte na vida profissional.
Foi esse show retrospectivo que Céu apresentou na casa Vivo Rio na noite de ontem, 11 de abril, no quarto e último dia do Queremos! Festival. Rebobinando as músicas do álbum agora já lançado há 21 anos, a cantora ressaltou no palco do Vivo Rio que em 2005 foi recebida pelo público carioca “de braços abertos como os do Cristo Redentor”.
Céu abriu programação que teve, na sequência, apresentações de Fernanda Abreu, do grupo britânico Soul II Soul e de Gaby Amarantos, escalada para fechar a noite com o show “Rock doido”.
Céu revive músicas como ‘Rainha’ e ‘Roda’ entre citação de frase de manifesto de Chico Science (1966 – 1997)
Rodrigo Goffredo
A rigor, devo admitir que eu tinha ido ao encerramento do Queremos! Festival para ver a estreia do show em que Fernanda Abreu celebra os 30 anos do álbum “Da lata” (1995). Contudo, cheguei cedo para assistir ao show de Céu, já que não o tinha visto quando ele estreou no Circo Voador (RJ) em outubro do no ano passado. E gostei do que vi ontem no Vivo Rio.
Sob direção artística de Luiza Lian, a cantora deixou boa impressão na volta do show “Céu 20” – mais curto do que a apresentação do Circo Voador para caber no tempo delimitado pela organização do festival – que a junta com banda formada pelos músicos Leonardo Mendes (guitarra), Lucas Martins (baixo), Pedro Lacerda (bateria), Sthe Araujo (percussão e vocais) e Zé Ruivo (teclados).
À frente de cenário emoldurado com projeções, Céu abriu o roteiro com “Lenda” (Céu, Alec Haiat e Graziella Moretto, 2005), emendou com “Malemolência” (Céu e Alec Haiat, 2005) – número introduzido pelo toque cintilante do cavaquinho de Lucas Martins e turbinado com citação do samba “Mora na filosofia” (Monsueto Menezes e Arnaldo Passos, 1955) – e, de olho no retrovisor, seguiu dando voz (com a dicção desde sempre imperfeita, mas também desde sempre assimilada pelos admiradores da cantora) a músicas como “Roda” (Céu e Beto Villares, 2005).
Antes de cantar “Rainha” (Céu, 2005), a artista lembrou que, como todo primeiro disco, o álbum “Céu” veio “carregado de referências e reverências”. “Modernizar o passado é uma evolução musical”, sentenciou a artista, reproduzindo a frase de abertura do “Monólogo ao pé do ouvido” (1994), de Chico Science (1966 – 1997).
Após reviver músicas como o samba “Bobagem” (Céu, 2005) e “10 contados” (Céu e Alec Haiat, 2005), a cantora enfileirou no bis uma música de cada álbum posterior ao disco de estreia, mas brindando a obra-prima “Tropix” (2016) com duas composições, “A nave vai” (Jorge Du Peixe, 2016) e “Varanda suspensa” (Céu e Hervé Salters, 2016), último número de roteiro coeso.
Naquela altura, o público carioca que aguardava Fernanda Abreu, Soul II Soul e Gaby Amarantos já estava de braços abertos para ver e ouvir Céu como há 21 anos.
Céu celebra no show ‘Céu 20’ as duas décadas de lançamento do primeiro álbum, em 2005
Rodrigo Goffredo / Montagem g1
