Imagine subir aos céus a bordo de uma composição de aço que serpenteia as montanhas mais altas da América do Sul. A ferrovia de 4.220 metros de altitude desafia a gravidade e o fôlego, cruzando abismos profundos e entregando uma das visões mais impactantes do planeta.
Como a ferrovia mais alta da América do Sul foi construída?
A construção desta linha, conhecida como Ramal C-14, começou em 1921 sob o comando do engenheiro Richard Maury, que recusou o uso de cremalheiras. Para vencer a inclinação, foram projetados zig-zags e caracóis que permitem ao trem ganhar altitude suavemente pelos Andes argentinos.
O projeto exigiu resistência sobre-humana dos operários, que trabalharam sob temperaturas congelantes e ar rarefeito nos picos. O traçado foi pensado para conectar o norte da Argentina ao Chile, tornando-se uma obra-prima da engenharia civil do século XX.

Quais são os principais desafios estruturais dessa ferrovia nos Andes?
Operar nos 4.220 metros exige manutenção constante devido à dilatação térmica do aço e à instabilidade do terreno montanhoso. A engenharia original implementou soluções monumentais que se sustentam até hoje, garantindo a segurança de cada viagem.
Confira as estruturas que tornam esse trajeto possível:
- 29 pontes de aço reforçado que distribuem o peso de forma equilibrada entre os paredões rochosos.
- 13 viadutos gigantescos projetados para absorver as vibrações das rodas em grandes alturas.
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Por que o Viaduto La Polvorilla é o ponto mais famoso do trajeto?
O Viaduto La Polvorilla é o ápice da ferrovia, com uma curva majestosa suspensa a 63 metros acima de um cânion seco. Essa estrutura de aço não possui trilhos de proteção lateral, o que amplia a sensação de vertigem e liberdade durante a passagem lenta do trem.
Suas vigas, fabricadas na Europa, encaixaram-se perfeitamente no terreno isolado da Puna de Salta, sendo hoje consideradas um ícone global de engenharia e uma das experiências mais impressionantes do turismo ferroviário mundial.

Como o corpo humano reage à altitude extrema durante a viagem?
Viajar nessa ferrovia expõe os turistas ao mal das montanhas, já que a concentração de oxigênio é significativamente menor do que no nível do mar. As composições modernas contam com suporte médico especializado e cilindros de oxigênio para garantir o bem-estar de todos.
Veja como passageiros e operadores lidam com os efeitos da altitude extrema:

A adaptação gradual durante o percurso é essencial para que a experiência seja segura e inesquecível.
Qual é o impacto do Tren a las Nubes para o turismo mundial?
O Tren a las Nubes atrai aventureiros de todos os continentes que buscam vivenciar a grandiosidade da Cordilheira dos Andes. Ele não é apenas um meio de transporte, mas um museu a céu aberto que preserva a história da expansão ferroviária na América Latina.
A preservação deste ramal garante o desenvolvimento das comunidades locais da Puna, que mantêm vivas suas tradições e artesanato. Percorrer esses trilhos é compreender a persistência humana diante das montanhas mais imponentes do nosso continente.
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