
Orbán admite derrota na Hungria: ‘Resultado da eleição é claro e doloroso’
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comentou neste domingo (12) o resultado das eleições na Hungria, após a derrota do primeiro-ministro Viktor Orbán.
“O coração da Europa está batendo mais forte na Hungria esta noite”, afirmou. “O país escolheu a Europa”, acrescentou.
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Orbán, líder da extrema direita no país, admitiu derrota nas eleições parlamentares, em resultado que colocou fim aos 16 anos de seu governo. “O resultado é claro e doloroso”, afirmou Orbán em discurso a apoiadores.
A apuração dos votos alcançou 60,24% das urnas, com o partido de oposição Tisza projetado para conquistar 136 cadeiras no Parlamento de 199 assentos.
Orbán, líder do partido Fidesz e um dos principais nomes da direita nacionalista na Europa, vê sua legenda ficar com 56 cadeiras no cenário atual, enquanto o Mi Hazánk teria 7 assentos, de acordo com o órgão eleitoral nacional (NVI).
As urnas para as eleições na Hungria foram fechadas às 14h deste domingo (12) no horário de Brasília (19h no horário local). O pleito, considerado o mais importante da Europa neste ano, registrou uma participação recorde de 66% dos eleitores.
Com o avanço da apuração, o líder da oposição, Péter Magyar, afirmou que o primeiro-ministro Viktor Orbán o parabenizou pela vitória nas eleições.
▶️ Contexto: Orbán é um dos principais nomes da extrema direita. Ele foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1998 e governou o país por quatro anos. Em 2010, retornou ao poder com uma vitória esmagadora e, desde então, permanece no cargo.
O partido de Orbán, o Fidesz, tem ampla maioria no Parlamento. A legenda atuou para reescrever a Constituição e aprovar leis com o objetivo de criar uma “democracia cristã iliberal”.
As políticas do premiê restringiram a liberdade de imprensa, enfraqueceram o Judiciário e limitaram direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+.
Por outro lado, medidas antimigração e uma postura nacionalista e conservadora ajudaram a manter o apoio popular.
A atuação de Orbán gerou atritos com a União Europeia, que chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria por violações de padrões democráticos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 23 de janeiro de 2026
REUTERS/Yves Herman
Orbán venceu as quatro últimas eleições parlamentares com ampla vantagem. A oposição fragmentada, somada ao controle político do premiê, ajudou a consolidar esses resultados.
Neste ano, o cenário mudou. Com a economia estagnada há três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo, Orbán perdeu força interna e viu o ex-aliado Péter Magyar ganhar espaço.
Magyar lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza.
O opositor afirmou ter se inspirado em Orbán no início da carreira política, mas se afastou do premiê, passou a acusar o governo de corrupção e mudou de partido.
Magyar ganhou espaço ao prometer reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais — postura combatida por Orbán nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele busca apoio conservador ao defender a manutenção das políticas de combate à imigração ilegal.
O opositor também aposta em discursos voltados às redes sociais e em comícios com estética patriótica. Ao criticar o atual governo, passou a ser visto por apoiadores como alguém que “enfrenta o sistema”.
O resultado foi um salto nas pesquisas. Segundo a agência Reuters, levantamentos recentes de institutos independentes já indicavam o partido de Magyar muito à frente da legenda de Orbán.
Eleições na Hungria
Arte g1
