
Uma eleição local na Roterdã, na Holanda, ganhou repercussão após uma candidata eleita ser acusada de manipular sua imagem de campanha com o uso de inteligência artificial. O caso levantou questionamentos entre eleitores e até dentro do próprio partido da política. As informações são da People.
Patricia Reichman, de 59 anos, venceu uma vaga no conselho distrital em um bairro da região norte da cidade no dia 18 de março. No entanto, após o resultado, moradores começaram a notar diferenças marcantes entre a foto divulgada durante a campanha e a aparência real da vereadora eleita.
Na imagem enviada por Reichman a um jornal local, ela aparece com aparência visivelmente mais jovem, com pele suavizada e cabelos loiros bem produzidos. Os olhos, mais escuros e destacados, também chamaram atenção dos eleitores, que passaram a suspeitar do uso de ferramentas de inteligência artificial para alterar a fotografia.

Diante das críticas, Reichman negou ter utilizado IA para modificar sua imagem. Segundo ela, a foto é autêntica e passou apenas por um ajuste técnico para melhorar a qualidade.
Vereadora usou IA para imagem de candidatura
Em entrevista ao jornal Algemeen Dagblad, a política explicou que utilizou uma ferramenta online para aumentar a resolução da imagem.
Ela também disse que mudanças recentes em sua aparência se devem ao uso de medicamentos, tratamento que estaria próximo do fim.
Mesmo assim, a própria Reichman reconheceu que a imagem pode causar estranhamento.
A polêmica ganhou novos contornos após uma apuração do próprio Algemeen Dagblad indicar que a vereadora eleita pode não residir no bairro que a elegeu. Reichman contestou a informação e afirmou possuir imóveis em duas regiões, garantindo que sua residência principal fica em Blijdorp, área onde conquistou os votos.
O partido da política, Leefbaar Rotterdam, afirmou ter sido surpreendido pelas revelações. Em nota, a legenda declarou que a imagem divulgada pela candidata apresenta sinais claros de manipulação com uso de inteligência artificial e não representa fielmente sua aparência.
A sigla também ressaltou que a foto não foi utilizada em materiais oficiais da campanha nem em comunicações institucionais, tendo sido enviada pela própria candidata ao jornal de forma independente.
Diante da repercussão e das dúvidas sobre o endereço da vereadora, o partido solicitou que Reichman abrisse mão do cargo. Ela, no entanto, recusou o pedido.
Como consequência, o Leefbaar Rotterdam anunciou o rompimento com a política, incluindo a revogação de sua filiação partidária.
O caso reacende o debate sobre o uso de inteligência artificial em campanhas políticas e os limites éticos na construção da imagem pública de candidatos.
