A antiga capital erguida no deserto trava uma batalha diária contra o avanço implacável das areias. O vento forte soterra as construções de pedra e ameaça apagar um passado que foi marcado por grande riqueza comercial e importância histórica.
Por que historiadores do mundo inteiro se interessam por esta cidade do deserto
O antigo assentamento de Chingueti floresceu durante o movimentado século treze como um gigantesco centro de escambo. As grandes caravanas cruzavam o continente árido carregando mercadorias valiosas e paravam obrigatoriamente para descansar nas raras sombras dessa metrópole.
Toda essa movimentação financeira acabou transformando a região em um ponto de encontro de grandes pensadores e líderes religiosos. Os estudiosos discutiam longamente sobre astronomia em ruas estreitas que, nos dias de hoje, sofrem com a seca extrema e com o abandono de suas estruturas.

O avanço das dunas sobre a arquitetura centenária
O rápido avanço do deserto engole, de forma implacável, as antigas fachadas feitas de barro e as pilhas de pedra das construções. Os ventos fortes e constantes arrastam toneladas de areia fina que invadem os pátios internos das casas e fazem ruir os frágeis muros que resistem há séculos.
As ruelas apertadas vão perdendo espaço para as enormes montanhas alaranjadas que se formam rapidamente durante as fortes tempestades de areia. Os moradores dedicam várias horas de seu dia para remover a pesada camada de terra que bloqueia as antigas portas de suas moradias.
Os tesouros que repousam nas bibliotecas de pedra calcária
Em prateleiras empoeiradas e centenárias, estão guardados manuscritos preciosos, redigidos sobre frágeis peles de animais e pergaminhos bastante desgastados pelo tempo. Esses raros documentos trazem complexos cálculos matemáticos e observações astronômicas que foram feitas por mentes brilhantes que viviam totalmente isoladas do resto do mundo.
A grande variação de temperatura e a altíssima secura do ar tornam a conservação desses materiais um desafio enorme e constante. Os dedicados curadores mantêm os textos muito bem guardados em caixas escuras para evitar que as páginas centenárias se desintegrem rapidamente.

O esforço de cada dia para manter o acervo conservado
As famílias mais tradicionais dividem entre si a difícil tarefa de proteger esse rico patrimônio literário, sem poder contar com nenhum grande apoio da tecnologia moderna.
As principais táticas manuais utilizadas pelos moradores da região para salvar os delicados pergaminhos são:
- Remoção manual diária da poeira seca acumulada sobre as pesadas capas de couro cru.
- Aplicação de óleos naturais específicos para hidratar as antigas páginas ressecadas pelo clima severo.
- Bloqueio total da intensa luz solar nas salas onde os frágeis documentos ficam armazenados.
- Transferência imediata dos velhos baús de madeira quando o teto rústico ameaça ceder.
O papel das mudanças no clima no soterramento das ruas
A severa falta de chuvas que tem marcado as últimas décadas matou a pouca vegetação rasteira que ainda conseguia segurar as altas dunas móveis. Sem as raízes fortes das plantas nativas para dar firmeza, o chão perdeu a capacidade de barrar o avanço do deserto.
O aquecimento global tornou ainda mais fortes as tempestades de vento que castigam essa localidade isolada. Esse clima tão severo acaba espantando os mais jovens, que fogem para as grandes metrópoles em busca de empregos mais estáveis e de um clima menos punitivo.
O esvaziamento sem fim da população que ali vivia
A falta de boas oportunidades de trabalho mudou a vida social de toda a região, deixando vazias as praças que antes eram tão movimentadas. As gerações mais velhas permanecem no local, vigiando o pó, enquanto os jovens enviam dinheiro de longínquas capitais para garantir o sustento da família.

As barreiras que a comunidade ergue para tentar frear a força do vento
O árduo trabalho de plantar longas fileiras de palmeiras verdes funciona como um escudo natural contra as rajadas de vento que invadem a cidade. Os agricultores se dedicam a formar cordões de árvores ao redor de toda a borda da localidade, na tentativa de diminuir a velocidade das tempestades.
A enorme escassez de água, porém, dificulta a irrigação dessas novas mudas, que precisam de hidratação constante para conseguir sobreviver ao calor escaldante. Os poços artesianos secam muito rápido, o que obriga a um racionamento rigoroso que coloca o consumo humano como prioridade, em detrimento da agricultura que serve de proteção.
No vídeo a seguir, o canal SLICE, que possui mais de 1 milhão de inscritos, mostra um pouco da realidade deste lugar:
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Qual o destino final desse valioso patrimônio ameaçado pela grande natureza?
O imenso valor cultural e arquitetônico do local motivou a rigorosa UNESCO a classificar a extensa região como uma área histórica de preservação mundial. A importante titulação garante um nível mínimo de amparo diplomático para tentar salvar os poucos prédios originais restabelecidos.
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