
Tecnologia aproxima investidores de empresas com ideias inovadoras no agro
Conhecida pela forte ligação com o agronegócio, a região de Ribeirão Preto (SP) também é um dos principais polos de inovação no setor. Foi nesse cenário que o empreendedor Henrique Galvani, de Morro Agudo (SP), fundou uma plataforma que conecta investidores a startups do agronegócio, com a meta de direcionar cerca de R$ 200 milhões.
Criada em 2022, a plataforma busca preencher uma lacuna entre empresas que estão começando sua jornada no agronegócio e os investidores. Somente na Região Metropolitana de Ribeirão Preto são 359 startups ativas, uma alta de 3,2% em relação ao ano anterior.
“Entre ofertas disponíveis e ofertas privadas a gente captou R$ 140 milhões para empresas do agro. Eu faço a ponte entre empresas promissoras do agro e investidoras, pessoas físicas via oferta pública e investidores institucionais em rodadas privadas”, explica Galvani.
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Lacuna entre investidores e startups
Com passagem pelo mundo corporativo e pela auditoria voltada ao agronegócio, além de uma temporada nos Estados Unidos focada no ecossistema de inovação, Henrique Galvani reuniu a experiência em startups e investimentos para fundar a Arara Seed.
A criação da plataforma coincidiu com um momento importante do mercado de capitais brasileiro.
Naquele período, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) avançava na regulamentação da Resolução CVM 88, voltada ao equity crowdfunding, modelo de investimento participativo que ampliou as possibilidades de captação para startups e pequenas empresas.
Ribeirão Preto é um polo que conecta investidores com empresas de inovação no agro.
Divulgação
“A gente percebeu que tinha um espaço dentro do mercado de capitais. Eu vi uma oportunidade de a gente regular uma plataforma que permite pessoas físicas, a partir de R$ 1 mil, invistam em ativos alternativos, que inclui startups do agronegócio.”
O investimento mínimo de R$ 1 mil representa, para a plataforma, um passo importante na democratização do acesso a ativos antes restritos a investidores mais sofisticados.
Segundo Galvani, a proposta é mostrar que qualquer pessoa física pode começar a investir em alternativas como startups do agronegócio, um segmento cada vez mais relevante no cenário econômico brasileiro.
Ao mesmo tempo, o modelo surge como uma resposta à lacuna de capital voltado à inovação no campo. A avaliação é que, à medida que a regulação evolui, esse processo tende a se tornar ainda mais acessível e abrangente, como explica o fundador da plataforma.
“O agro é movido a crédito e o crédito privado ainda é muito pouco frente ao tamanho do mercado do agronegócio, então tem uma lacuna gigante que deve ser suprimida. A CVM tem estudado inclusive para produtores rurais possam captar em plataformas como a nossa, o que vai ser basicamente pessoas físicas investimento em produtores rurais.”
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Base de investidores
O primeiro movimento da plataforma foi estruturar ofertas públicas pela internet, permitindo que investidores diversificassem a carteira por meio de aportes em startups previamente selecionadas.
Desde 2022, quase 500 empresas já passaram pelo processo de análise da Arara Seed, que faz a curadoria por meio de um comitê responsável por avaliar indicadores financeiros, potencial de crescimento, capacidade de escala e riscos do negócio.
Segundo o fundador, embora o investimento em startups envolva risco, a diversificação segue como principal estratégia para equilibrar a exposição do investidor, um processo que a própria plataforma busca facilitar.
Tecnologia de monitoramento via satélite no campo é uma das inovações que obtiveram investimentos por meio de plataforma criada no interior de São Paulo.
Divulgação
O modelo ganhou tração em 2024, quando uma startup do agro realizou uma oferta institucional que reuniu grandes players do mercado, movimentando na primeira rodada R$ 15 milhões e na segunda, R$ 30 milhões.
“Hoje eu tenho uma base de 3 mil contas criadas, sendo que 700 investidores pessoas físicas realizaram pelo menos um investimento via plataforma ou investidores institucionais que são fundos mais profissionais do segmento. A gente faz esse cruzamento, a minha base de investidores é tanto de pessoas que têm disponível pra investir via plataforma quanto fundos de investimentos, conectando a startup do agro com investidores.”
Entre os negócios beneficiados pelos investimentos está, por exemplo, uma startup que está usando inteligência artificial para o monitoramento de cultas como cana-de-açúcar e grãos com uso de imagens via satélite e drones.
Local estratégico
Além da concentração de startups ligadas ao agronegócio na região de Ribeirão Preto, a escolha do interior paulista como sede da plataforma acompanha um movimento mais amplo de interiorização do setor, aproximando o capital dos polos onde a inovação no campo efetivamente acontece.
“A gente vê um distanciamento entre onde está o dinheiro que é São Paulo, capital, e o agronegócio, então a gente quer encurtar esse espaço, eu vejo que no interior a gente consegue falar a língua do produtor. A gente consegue falar com os produtores mais facilmente, é um diferencial competitivo nosso. A gente acredita em crescer nas capitais do agro, não nas capitais dos estados, mas onde realmente o agro move.”
A estratégia ganha ainda mais relevância em vitrines como a Agrishow 2026, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina e principal ponto de encontro entre produtores, startups, indústrias e investidores.
Para Galvani, a edição deste ano reforça tendências que já se consolidam no campo, especialmente em inovação aplicada à produtividade.
“Não existe outro caminho a não ser investir no agro brasileiro, investir em pessoas, investir em tecnologia e principalmente dar condição para os empreendedores inovarem. É a minha luta do dia a dia, é impossível falar de inovação sem falar de grana, de capital, como a gente faz chegar esse capital para que os empreendedores possam fazer a diferença no campo”, conclui.
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