
O Papa Leão XIV reagiu nesta segunda-feira (13) aos ataques feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite de domingo (12), e afirmou que não teme o governo americano. A resposta mantém o tom do Vaticano contra a guerra e reforça a defesa por negociações em meio à escalada no Oriente Médio.
A fala ocorre um dia após Trump chamar o papa de “fraco” e criticar sua posição sobre o Irã. O embate eleva a tensão entre o Vaticano e a Casa Branca em um momento de conflito ativo, com impacto direto sobre negociações diplomáticas e pressão internacional por cessar-fogo.
A declaração foi dada a jornalistas a bordo do avião papal, durante viagem à África. Leão XIV disse que a posição dele não é direcionada a um governo específico e que segue baseada na mensagem religiosa.
O pontífice também rejeitou a ideia de que as falas dele sejam um ataque político direto. Disse que críticas à guerra e ao que chamou de “ilusão de onipotência” não devem ser confundidas com posicionamento partidário.
Em outra declaração, afirmou que continuará defendendo a paz e a reconciliação entre países.
Ataque truculento de Trump
A reação veio após Trump publicar críticas diretas ao líder da Igreja Católica em sua rede social no domingo (12). O presidente afirmou que o papa prejudica a instituição e questionou a postura dele sobre segurança e política externa.

Não há registros de que Leão XIV tenha defendido que o Irã possua armas nucleares, como sugeriu Trump.
O episódio ocorre em meio ao avanço da guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro após ataques envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito já se espalhou pela região e afeta rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Dias antes, o papa havia criticado a possibilidade de escalada militar e pedido proteção à população civil. Ele também defendeu que a sociedade pressione líderes políticos por soluções negociadas.
No domingo, voltou a pedir cessar-fogo no Líbano e mencionou conflitos na Ucrânia e no Sudão. A viagem iniciada nesta segunda-feira inclui quatro países africanos ao longo de cerca de 10 dias.
Trump intensificou as críticas ao afirmar que o papa deveria ser “grato” por ocupar o cargo e sugeriu que a escolha por ele teve relação com a política americana.

Minutos após a publicação, o presidente também divulgou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece vestido como papa.
Veja a íntegra do que Trump disse:
“O papa Leão é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa. Ele fala sobre o “medo” do governo Trump, mas não menciona o MEDO que a Igreja Católica e todas as outras organizações cristãs tiveram durante a COVID, quando estavam prendendo padres, pastores e todo mundo por realizar cultos — mesmo ao ar livre e mantendo distância de três a seis metros entre as pessoas.
Eu gosto muito mais do irmão dele, Louis, do que dele, porque Louis é totalmente MAGA. Ele entende — e Leão não!
Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela, um país que estava enviando enormes quantidades de drogas para os EUA e, pior ainda, esvaziando suas prisões — incluindo assassinos, traficantes e criminosos — para dentro do nosso país.
E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos por eu estar fazendo exatamente aquilo para o qual fui eleito, COM UMA VITÓRIA ARRASADORA: reduzir o crime a níveis recordes e criar o maior mercado de ações da história.
Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano.
Infelizmente, Leão é fraco no combate ao crime e fraco em relação a armas nucleares — e isso não me agrada. Também não me agrada o fato de ele se reunir com simpatizantes de Obama, como David Axelrod, um PERDEDOR da esquerda, que é um daqueles que queriam que fiéis e membros do clero fossem presos.
Leão deveria se recompor como papa, usar o bom senso, parar de agradar a esquerda radical e focar em ser um grande papa — não um político. Isso está prejudicando muito ele e, mais importante, está prejudicando a Igreja Católica.”
