Søren Kierkegaard, filósofo dinamarquês e pai do existencialismo: “A vida só pode ser compreendida olhando para trás, mas só pode ser vivida olhando para a frente”

A angústia de escolher um caminho paralisa a capacidade de agir no presente por medo de um futuro incerto. Søren Kierkegaard, pai do existencialismo, ensinou que essa sensação não é um problema a eliminar, mas a marca de quem está diante de escolhas reais e tem a liberdade de fazê-las.

Por que Kierkegaard chamou a angústia de “vertigem da liberdade”?

Para Kierkegaard, a existência humana é o reino da liberdade e da possibilidade, e é exatamente essa abertura que produz angústia. A sensação de que cada decisão pode alterar permanentemente o curso da vida costuma gerar um peso emocional difícil de carregar. Quando focamos apenas nos riscos, perdemos de vista a beleza das possibilidades que se abrem ao aceitar que a perfeição é uma ilusão.

O filósofo descreveu a angústia não como um problema a eliminar, mas como a marca de quem está diante de escolhas reais. Para lidar melhor com esses momentos de pressão e incerteza, vale considerar alguns pilares de uma mente mais resiliente:

  • Aceitação da imprevisibilidade como parte natural da vida, e não como ameaça a ser evitada
  • Foco nas ações sob controle imediato, reduzindo o peso das variáveis que estão fora do alcance
  • Valorização do erro como um professor valioso no processo de aprendizado contínuo
Quando focamos apenas nos riscos, perdemos de vista a beleza das possibilidades que se abrem ao aceitar que a perfeição é uma ilusão

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O que Kierkegaard entendia por existencialismo e como isso muda a tomada de decisão?

Nascido em Copenhague em 5 de maio de 1813 e falecido na mesma cidade em 11 de novembro de 1855, aos 42 anos, Kierkegaard foi o primeiro filósofo a colocar questões como liberdade, escolha e autenticidade no centro do exame filosófico da vida humana. Para ele, somos o que escolhemos ser: a existência não é determinada, como no animal guiado pelo instinto, mas construída a cada decisão.

Ao entender que somos os arquitetos das próprias escolhas, a ansiedade deixa de ser um obstáculo paralisante e se torna o combustível de uma existência autêntica. Kierkegaard descreveu três estágios da existência, cada um representando um nível diferente de comprometimento com a autenticidade:

Estágio Como se manifesta Relação com a escolha
Estético Busca pelo prazer imediato e pela novidade Fuga da responsabilidade de decidir
Ético Comprometimento com deveres e valores morais Escolha guiada por princípios externos
Religioso Entrega a uma verdade subjetiva e pessoal Escolha como ato de fé no próprio caminho
Para ele, somos o que escolhemos ser: a existência não é determinada, como no animal guiado pelo instinto, mas construída a cada decisão

Como Kierkegaard define coragem diante do desconhecido?

Para Kierkegaard, a coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de agir apesar dele, reconhecendo que a vida exige movimento para ser compreendida em sua totalidade. Sem o salto nas próprias capacidades, ficamos presos a um passado que já não existe, desperdiçando a oportunidade de construir um novo caminho.

O canal Ludoviajante, com mais de 1,72 milhão de inscritos, explora em detalhes como o pensamento de Kierkegaard e de Jean-Paul Sartre se aplica às decisões difíceis do cotidiano e ao conceito de angústia existencial:

Quais atitudes práticas fortalecem a postura existencial de Kierkegaard?

O movimento de autodescoberta que Kierkegaard propõe exige reconhecer as próprias motivações mais profundas antes de dar o próximo passo. Algumas atitudes concretas ajudam a transformar esse princípio filosófico em prática cotidiana:

  • Praticar a autocompaixão ao tomar decisões difíceis, sem transformar o erro em punição
  • Definir objetivos claros que facilitem a triagem de opções e reduzam a paralisia da escolha
  • Celebrar as pequenas vitórias conquistadas em cada decisão, reforçando a confiança no próprio julgamento

A angústia que Kierkegaard descreveu é o sinal de que se está vivo e escolhendo

Quando mudamos a percepção sobre a angústia, passamos a utilizá-la como um alerta de que estamos vivos e prontos para exercer o poder de escolha com responsabilidade. O entendimento da vida acontece na reflexão, ao revisitar experiências passadas, mas viver exige movimento, decisão e projeção.

Kierkegaard faleceu aos 42 anos sem ver seu pensamento ganhar o alcance que tem hoje. O paradoxo que ele deixou, compreender olhando para trás e viver olhando para a frente, continua sendo uma das descrições mais precisas do que significa tomar uma decisão com consciência.

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