
Preso nos Estados Unidos, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem está com o visto expirado e pode ser deportado ao Brasil. A situação migratória irregular passou a ser o ponto central do caso e pode antecipar o retorno ao país, independentemente do pedido formal de extradição.
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A informação consta em registros do Immigration and Customs Enforcement (ICE) e foi confirmada pela Polícia Federal. A extradição foi solicitada em janeiro, mas fontes da investigação indicam que a deportação tende a ser mais rápida e já entrou no radar das autoridades, segundo O Globo.
A detenção ocorreu em Orlando, cidade dos Estados Unidos, na segunda-feira (13), em uma ação ligada ao controle migratório. Segundo dados oficiais citados pelo O Globo, o visto de Ramagem estava vencido no momento da abordagem.
Para a Polícia Federal, essa condição facilitou a prisão. O ex-deputado é considerado foragido após condenação de 16 anos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Além da situação migratória, a PF afirma que Ramagem usou documentos irregulares nos Estados Unidos. Entre eles, um passaporte cancelado e registros obtidos com ajuda de terceiros para conseguir uma carteira de motorista.
Essas informações foram repassadas às autoridades americanas, que passaram a monitorar a permanência do brasileiro no país.
Aliados de Ramagem contestam essa versão. Eles afirmam que havia um pedido de asilo em andamento e dizem que a situação migratória era regular. Também sustentam que a prisão teria ocorrido após uma infração de trânsito.
Deportação pode ser mais rápida que extradição
Documentos do governo americano indicam que o visto estava expirado, o que permite a deportação administrativa, que é um procedimento mais simples que a extradição.
A diferença entre os dois caminhos passou a definir o rumo do caso. A extradição depende de análise formal entre os países e pode levar meses.
Já a deportação ocorre por descumprimento de regras migratórias e costuma ter tramitação mais curta. Investigadores avaliam que esse deve ser o desfecho.
A condenação de Ramagem ocorreu em setembro de 2025, no julgamento que também envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Após perder o mandato em dezembro, ele deixou o país.
Em fevereiro de 2026, já nos Estados Unidos, prestou depoimento por videoconferência sobre os atos de 8 de janeiro. Na ocasião, negou os crimes.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também pediu nova condenação por danos a patrimônio público. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, ele atuou em ações que incentivaram medidas contra a Constituição.
A definição agora depende das autoridades americanas. Se a deportação for confirmada, o retorno ao Brasil pode ocorrer em prazo mais curto.
